O burro sou eu.

 

Tinha prometido a mim próprio que não escrevia uma linha sobre o debate da adopção por "casais" homossexuais. De facto, com o país em risco de falência, em que todos os meses milhares de portugueses ficam numa situação de desemprego e dezenas de famílias entregam as casas aos credores hipotecários, considero que este é um debate que, nesta altura, não deve ser alimentado. Todavia, a caixa de comentários deste post do camarada Pedro Picoito tem sido invadida com ataques à minha prestação num debate de sábado na TVI 24. Como o Pedro Picoito nada tem a ver com o programa venho dar o corpo às balas. Resumindo, o que afirmei reitero:

 - Não faz sentido ter este debate neste momento. Já todos percebemos que o Bloco de Esquerda, como representante da esquerda gourmet não consegue impôr outra agenda que não seja esta (agora anunciam a eutanásia). Os tempos não estão para esquerdas gourmet mas sim para políticas de austeridade. Portugal é hoje como uma casa a arder e o Bloco de Esquerda, em vez de ajudar a apagar o fogo, teima em discutir se devemos pintar as paredes da casa de rosa pink ou rosa choque.

- Nem os heterosexuais nem os homossexuais têm um direito à adopção, o que existe é um direito das crianças a terem uma família, de preferência um pai e uma mãe. Na matéria de adopção as crianças devem ser a nossa única preocupação e não devem ser instrumentalizadas por uma qualquer causa.

- Como já frisou o Pedro Picoito a heterosexualidade não é prova de capacidade para a adopção. Há muitos casais heterosexuais que não bons pais e seguramente que há muitos homossexuais que serão bons pais ou boas mães.

- O amor com que educamos e nos dedicamos a uma criança não se confunde nem implica a filiação. Todos conhecemos mulheres e homens que se casam ou se juntam já com filhos de outras relações anteriores e não se torna necessário a adopção dos filhos do parceiro.

- Eu entendo que não é indiferente para uma criança ter dois pais ou duas mães em vez de um pai e uma mãe. A maternidade e a paternidade preenchem dimensões diferentes no desenvolvimento de uma criança. Quem é pai ou mãe experimenta esta realidade todos os dias.

Por último uma palavra para salientar que confundir os homossexuais com os activistas da "agenda gay" é um erro. Seria o mesmo que confundir os trabalhadores com alguns sindicalistas da CGTP. A maior parte dos homossexuais está-se nas tintas para esta agenda.

Finalmente, para os que pretendem atacar a minha prestação com acusações de homofobia e outras já agora critiquem com conhecimento. É a partir do minuto 34.

 E Pedro, escusas de te queixar à ILG. O burro sou eu.

 

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 22:42 | partilhar