A difícil campanha de Obama

Em Novembro Obama enfrenta uma dura batalha pela sobrevivência na Casa Branca. Ao contrário do que vou lendo na imprensa portuguesa, sempre muito influenciada pelos media "liberais" americanos, Obama enfrenta uma série de obstáculos que estão muito longe de lhe garantir a reeleição. Ainda esta semana foram publicadas duas sondagens (Gallup e Rasmussen) que colocam Obama empatado com Mitt Romney. Estas sondagens são ainda mais significativas quando Mitt Romney está envolvido numa verdadeira guerra civil nas primárias republicanas e que está a ser lesiva para a imagem de Romney. Muito dificilmente serão favas contadas para Obama, como muitos parecem acreditar em Portugal. 

 

Na verdade, os últimos dois meses foram positivos para Obama. A taxa de desemprego baixou ligeiramente e os indices económicos melhoraram, os republicanos têm-se enfrentado numa campanha muito agressiva, cheia de ataques pessoais entre si, e o presumível nomeado, Mitt Romney, arrisca-se a passar mais uns meses em campanha contra os seus adversários republicanos. Quanto mais longa for a campanha das primárias, menos tempo terá para se focar em Obama. Além disso, é um candidato que gera muita desconfiança na base do eleitorado republicano mais conservadora. Um outro factor a considerar é que o Presidente Obama contará certamente com uma vantagem financeira importante em relação ao adversário republicano, o que não deixará de ser importante em muitos swing states.

 

Mas a minha convicção que Obama não terá vida fácil assenta em principios muitos simples: o desemprego em Novembro nunca deixará de ser o mais elevado numa campanha de reeleição desde 1936, quando FDR derrotou Alf Landon; os preços da gasolina estarão elevadíssimos (duplicaram desde a entrada de Obama na Casa Branca); e a popularidade de Obama mantém-se em níveis muito próximos dos 46 por cento, um número demasiado perigoso para o Presidente. Por outro lado,e  apesar da campanha negativa republicana, depois de nomeado, Romney facilmente unirá o partido em seu redor: em primeiro porque o desejo de derrotar Obama ultrapassará a desconfiança que gera na base, e depois porque certamente irá escolher um candidato a Vice Presidente mais conservador do que ele, como Marco Rubio, Chris Christie ou Bob McDonnell, que o ajudará a galvanizar o partido. Nenhum republicano ficará em casa por muito pouco que goste de Romney. 

 

Acreditando que Obama dificilmente conquistará novo eleitorado em relação a 2008, o seu grande desafio será segurar o máximo de independentes possíveis, tentando por um lado acenar com o papão republicano, e por outro, tentar replicar a "magia" da sua campanha de há quatro anos. No entanto, depois de um mandato cheio de reveses e dificuldades, Obama não terá a vida fácil. No Verão, depois de conhecidos os indicadores económicos e os nomes da dupla republicana, talvez dê para fazer uma previsão mais ou menos realista. No momento, e apesar de ligeira vantagem para Obama, é arriscado tentar prever o que irá suceder em Novembro. Até porque seria baseado meramente em questões de fé e não no pragmatismo que a realidade exige. 

publicado por Nuno Gouveia às 14:53 | partilhar