Fim do euro (25) FMI avalia possível saída da Grécia do euro

O FMI publicou ontem um relatório sobre a extensão do pedido de ajuda da Grécia, que contém uma caixa sobre o “impacto económico da saída do euro” deste país (p. 46-47).

 

Esta análise prevê uma forte desorganização do país e um agravamento da recessão corrente, com uma nova queda do PIB da ordem dos 10%.

 

O mais interessante para nós, portugueses, é o último parágrafo desta caixa, que passo a traduzir: “As percepções do mercado sobre a estabilidade da área do euro sofreriam e os investidores atribuiriam uma maior probabilidade à possibilidade de saídas adicionais do euro (que um muro de protecção eficaz poderia mitigar, mas não eliminar). Para além disso, o uso de instrumentos grosseiros para gerir a saída do euro, tal como o congelamento de depósitos e controlos de capitais, poderia assustar depositantes e investidores em outros países fracos da área do euro, produzindo corridas preventivas aos depósitos e fugas de capital. Para além disso, a redução da alavancagem dos bancos, para reduzir riscos, poderia conduzir à auto-concretização de crises em países vulneráveis, com efeitos dominó em outros.”

 

Como é óbvio, o primeiro país a sofrer com a saída da Grécia seria Portugal. Apesar de tudo, a saída dos gregos ainda se pode produzir com algum tipo de organização de ou forma totalmente caótica. As eleições gregas foram de novo adiadas, desta feita para início de Maio, mas as sondagens continuam a apontar para que o parlamento seja dominado por partidos que estão contra as condições da ajuda externa.

 

Espera-se que o actual governo de Papademos esteja a preparar tudo (notas e moedas, sistemas de pagamento, legislação, etc.) para que o país, que pode ficar ingovernável depois das eleições, possa sair do euro de forma relativamente organizada.

 

Por outro lado, também pode não haver, ou não haver suficiente, trabalho de casa para sair do euro. Nesse caso, uma Grécia sem governo (os partidos que estão contra a ajuda não se entendem entre si) deixa de cumprir as condições da ajuda, vê os fundos cortados, entra de novo em bancarrota, deixa de conseguir pagar aos funcionários públicos e pensionistas, sente a irresistível tentação de voltar a ter moeda própria, que pode emitir sem limite, o que lhe permitirá voltar a pagar todas as despesas internas.

 

O problema é que, sem o trabalho de casa feito, a saída do euro será muitíssimo mais caótica e terá efeitos de contágio muito mais graves, em particular para Portugal. Por tudo isto, durante os próximos meses devemos estar com a máxima atenção ao que se passa em Atenas. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 18:18 | partilhar