Toulouse, Sarkozy, e PÚBLICO

Na campanha presidencial em curso, agora interrompida devido ao massacre na escola judaica de Toulouse, Nicolas Sarkozy decidiu tocar no tema da imigração, para dizer, basicamente, que a política de integração, tal como hoje existe em França, não funciona. Trata-se de uma preocupação recorrente do actual Presidente e ex-Ministro do Interior, que por diversas vezes insistiu na necessidade de em França haver um grande debate sobre a identidade nacional. Estupidamente, como sempre acontece na comunicação social, o tema da imigração e da identidade nacional é reduzido a acusações de extremismo e racismo. Foi o que aconteceu com Sarkozy, actual Presidente da República Francesa, país com milhões de imigrantes, oriundos das mais diversas regiões do mundo, muitas delas com formas de viver situadas nos antípodas da forma de viver de que a França e todo o Ocidente se orgulha ter conquistado. Ontem mesmo, quando ainda muito pouco se sabia do massacre de Toulouse, o sempre ideológico, por vezes irresponsável, e desta vez temerário editorial do PÚBLICO dizia que “Sarkozy, dias antes dos atentados, para ganhar votos à extrema-direita arriscou um inflamado discurso anti-imigrantes”, e perguntava “Serão estas balas, vindas de um assassino desconhecido, o eco incomensurável dessa perigosa aventura?” Hoje, já se vai sabendo que o principal suspeito é um francês de origem argelina, auto-proclamado moudjahidin, com ligações à Al-Qaeda, disposto a vingar as crianças palestinianas e a intervenção militar francesa no exterior. Estou curioso para ler amanhã o editorial do PÚBLICO e ficar a saber, no fim de contas, quem são os verdadeiros protagonistas da “perigosa aventura” que está na origem do ataque de Toulouse. Arrisco um nome colectivo: o "autor" dos editoriais do PÚBLICO. Mas há mais aventureiros, muitos mesmo.

publicado por Nuno Lobo às 13:24 | partilhar