Congressos versus Directas
A JSD vai propor uma alteração aos estatutos do PSD que passa, entre outras coisas, por antecipar a realização dos congressos em relação às eleições directas. É um bom caminho.
Nos congressos dos partidos democráticos (PS PSD e CDS) inscrevem-se das melhores páginas da estória da democracia partidária. Congressos que ficaram na memória de todos, dentro e fora dos partidos e que revitalizavam os partidos. Debates ideológicos e estratégicos intensos e afirmação de lideranças fortes resultaram dos congressos partidários.
No final dos anos 90 os partidos passaram a eleger os seus líderes através de eleições directas, sendo que a alteração do sistema de eleição comportou uma profunda alteração do que vinha sendo o maior espaço de debate e pluralidade dos partidos. Após mais de uma década de experiência de eleições directas é tempo de fazer a avaliação desapaixonada sobre o que se ganhou e o que se perdeu, procurando encontrar fórmulas que estimulem os partidos, a sua via interna e o debate político.
No modelo de eleições directas antes dos congressos o verdadeiro debate de ideias e das orientações estratégicas – que o país reconhecia como a grande força dos congressos partidários - foi desviado dos congressos. Actualmente os candidatos apresentam as suas estratégias globais com as candidaturas e a discussão estratégica é deslocada do congresso para o período de “campanha eleitoral” que antecede as eleições directas. Eleitos os Presidentes, a discussão estratégia fica esvaziada, e os Congressos acabam por ser meras convenções de aclamação dos presidente dos partidos.
O CDS, no último Congresso, optou por regressar ao modelo primitivo e acabou com a directas. Havia outra opção - apresentada no CDS pelo movimento Alternativa e Responsabilidade, em que o líder seria, por regra, eleito em congresso e que apenas se realizariam eleições directas nas situações em que do congresso resultem duas ou mais candidaturas alternativas e viáveis à presidência do Partido.
No PSD, a ideia está também a fazer o seu caminho. Os congressos, tal como acontecia no passado, devem ser organizados à volta do debate das Moções Globais de Estratégia, voltando a constituir um grande fórum de debate, onde os potenciais candidatos podem e devem sentir e medir o apoio das bases para disputar as eleições. Na estória dos partidos assistimos a vários congressos surpreendentes que catapultaram militantes para a presidência. A grandeza e a força dos partidos também se fez com essa incerteza que decorria dos debates vivos que a alimentavam.
