Aspernatio rationis

O cachimbo Pedro Picoito lá vai mantendo pacientemente o "diálogo" com a jugular Ana Matos Pires. Quanto a mim, o Pedro anda a perder o tempo. Há pessoas que definitivamente não servem para parceiros de discussão, embora possam não ser completamente inúteis enquanto objecto de estudo do clima de opinião dominante. Leia-se, por exemplo, esta pérola argumentativa da Ana Matos Pires: "A identidade sexual não define a orientação sexual do sujeito, são coisas diferentes. O facto de eu ter uma experiência (fazer) uma experiência homossexual não questiona a minha orientação heterossexual - até a sedimenta, no sentido de perceber o que mais me agrada na cama, p ex - nem determina a maneira como me penso ou penso a minha sexualidade." As determinações são muito importantes e faz parte do labor filosófico e científico distinguir umas coisas das outras. Mas uma das maleitas do nosso tempo filosófico e científico é precisamente o emaranhado ininteligível de pseudo-determinações sem qualquer adesão à realidade e consequente possibilidade de acesso a ela. A opinião da Ana Matos Pires, por mais travestida de ciência que esteja, não se distingue substancialmente da opinião do marido infiel que diz com orgulho que as aventuras que mantém com as amantes não questionam o seu casamento - até o sedimentam, no sentido de o ajudarem a perceber que é a mulher legítima quem ele realmente ama. Bem vistas as coisas, nem para objecto de estudo filosófico e científico a Ana Matos Pires serve especialmente. Qualquer outra opinião de rua chega para o mesmo efeito.

publicado por Nuno Lobo às 11:41 | comentar | partilhar