Falta de graça

Começo por avisar que este texto não é uma mentira de 1 de Abril. No programa do Herman José de ontem havia um sketch histórico, em que a rainha D. Isabel se preparava para fazer o “milagre das rosas”, transformando uma fotografia da Angela Merkel numa bola de Berlim. Em vez disso, saiu uma salsicha alemã. Então, julgo que foi o D. Dinis, alguém disse qualquer coisa do género: “não vamos dizer onde é que o Vítor Gaspar quer enfiar isto”.

 

Esta é, obviamente, uma insinuação pouco subtil sobre a orientação sexual do ministro, cuja veracidade desconheço e que é irrelevante para o caso. O que é relevante é esta “piada” ser homofóbica e ela ser dita num programa de um humorista cuja orientação sexual é conhecida.

 

A homofobia é má em si mesma, por conduzir à discriminação em função da orientação sexual, mas integra-se num problema mais vasto, o da intolerância à diferença. Portugal tem um triste cadastro neste domínio, desde a violência da discriminação religiosa levada a cabo pela Inquisição, até à violência por discriminação política, perpetrada quer pela 1ª República, quer pelo Estado Novo.

 

Por tudo isto, a promoção da homofobia não tem graça nenhuma, e que ela seja feita pela última pessoa que a devia fazer é ainda mais triste. Como dizia alguém, a homofobia é uma atitude muito gay.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 11:07 | comentar | partilhar