Espanha encostada às cordas (i)

Depois de rever o défice espanhol em alta, Rajoy assumiu uma posição de força recusando cumprir o défice imposto por Bruxelas. Alegou que Espanha era um país soberano. Recebeu muitas palmas. Mário Soares entrou em êxtase e disse que Passos Coelho devia fazer o mesmo. Quando Rajoy tentou emendar o tiro já era tarde. Encostado às cordas, o novo executivo espanhol multiplica-se em novos cortes e reformas, garantindo que Espanha não será resgatada.

Tudo isto é injusto? Certamente. Mas já se percebeu que o que conta não é a racionalidade das reformas mas a percepção que os mercados fazem delas. É preciso primeiro convencer os credores que um país é sustentável e só depois vem o resto. Rajoy demorou a perceber isto. Talvez pensasse que Espanha era grande demais para cair. Espera-se que não tenha sido tarde demais. O exemplo espanhol mostra que a estratégia do Governo português tem sido correcta. A austeridade e o cumprimento rigoroso do acordo com a ‘troika' têm sido o nosso escudo perante o olhar crítico dos mercados, permitindo o regresso gradual da confiança que já se reflecte nas taxas de juro. O memorando não é uma bíblia, como dizia Manuel Alegre, mas até tem ajudado à nossa "salvação". Percebe-se que há coisas piores do que sermos "bons alunos" perante as ‘troikas' desta vida. Se fossemos alunos cábulas o precipício estaria mais próximo.

publicado por Paulo Marcelo às 14:16 | comentar | partilhar