E o novo Pacto orçamental (ii)

 

É neste jogo de espelhos que o novo Tratado deve ser avaliado. Apesar de certas regras quase impossíveis de cumprir - 0,5% de défice estrutural - considero positivo que Portugal tenha sido o primeiro país a ratificar o Tratado. É mais um sinal que reforça a nossa credibilidade. Mas será esta regra de ouro suficiente para impedir uma nova bancarrota? Duvido. Outros vendedores de ilusões surgirão e haverá quem vote neles. E será suficiente para vencer a crise do euro? A resposta é igualmente céptica. O Pacto não cria uma autêntica governação económica europeia, mas é um passo (com sotaque germânico) nesse sentido. A Europa continua coxa. Esta crise mostrou que uma união monetária não subsiste sem um orçamento europeu comum, mesmo que limitado, aprovado por representantes eleitos, o que implica uma profunda reforma constitucional, ao estilo da convenção de Filadélfia, na base do sucesso americano. Só isso trará confiança e estabilidade à Europa que até lá continuará um gigante económico com pés de barro.

 

[Adaptação do meu texto de hoje no Diário Económico]

publicado por Paulo Marcelo às 14:25 | comentar | partilhar