Energiewende

 

Fritz Vahrenhold  é um cientista e político alemão (SPD), e desde 2008 CEO da empresa de energias renováveis do grupo empresarial alemão RWE, foi também um herói do movimento ambientalista em 1978 quando publicou um livro muito crítico da indústria química. Mas após a publicação do seu último livro “Die Kalte Sonne” (O Sol esquecido) em que desalinha do consenso na questão das alterações climáticas, mesmo sendo presidente de uma grande empresa de energias renováveis, foi de imediato acusado pelos movimentos ambientalistas alemães de ser um “lobista” a favor da indústria das energias fosseis (a RWE é também o maior electroprodutor alemão na tecnologia de centrais eléctricas a carvão).

 

Esta semana Fritz Vahrenhold deu uma entrevista à Energy Policy Review, a qual pode ser lida aqui. O mais interessante da entrevista é a crítica que Vahrenhold faz ao plano energético de transição alemão (Energiewende). É um plano irracional que, nas suas palavras, ameaça destruir a indústria que está na base da prosperidade económica alemã. E pior, ao contrário do que possa ser percepcionado pela opinião pública, o plano alemão não congrega uma visão europeia sobre a energia e o ambiente, reflecte apenas uma perspectiva egocêntrica, isto é, não tem um contexto europeu (conclusão minha). A Alemanha avançou para a implementação de um plano desta dimensão sem primeiro se concertar com os seus vizinhos, o que é, no mínimo, um acto de enorme arrogância e uma asneira grosseira. 

 

So how can Germany get out of this dead end?

 

-The exit is Europe. The Energiewende should be a European task. It makes no sense to do it with solar power in Flensburg Solar when you can do it in Andalusia for one third of the cost. Wind energy in the Po delta in Italy makes no sense either. But before we can do it on a European scale we need a pan-European grid. Building such a grid will take us at least twenty years. “

 

 

Infelizmente, para os federalistas europeus mais optimistas, a Alemanha dá hoje todos os sinais (na área da energia…) de não saber o que é uma comunidade. Independentemente da qualidade do plano energético alemão, a sua reflexão e acção nesta área enquanto país, são ainda caracterizadas pelo mesmo grau de independência e autonomia que observávamos na grande nação alemã do final do século XIX, e nunca as que deviam qualificar um Estado de uma futura federação europeia do século XXI. 

publicado por Victor Tavares Morais às 08:56 | partilhar