Maurice Sendak

 

Das imensas teorias dos monstros que existem nas cabeças das crianças a de Maurice Sendak é a mais convincente, comovente, atraente, inteligente. Na história de Sendak há um miúdo chamado Max que vive dentro de um fato de lobo e que ali mesmo se permite entrar num mundo que só às crianças diz respeito repleto de monstros e fantasia. Se o conto é enternecedor, o filme é ainda melhor. Atira-nos várias vezes ao chão com murros sucessivos e apetece-nos, já doridos, alguma vez deixar de o ver. Nada disso.  Que continue a balbúrdia - como gritou Max quando foi coroado rei daquele país absurdo.  O tema «Wake up» dos Arcade Fire lembra-nos, ao longo do filme, o tempo em que fazíamos parte do mundo de Max e que por estúpida irresponsabilidade decidimos crescer e assim parámos de sorrir e de gostar do Verão. É uma homenagem fantástica aos tempos de criança e aos monstros, bons e maus, que habitam dentro de nós. Afinal, somos um país ingovernável, coisa que já suspeitava, cheio de monstros que andam à estalada e que choram quando caem em si.

Ontem morreu Sendak com 83 anos.  Hoje vou ler aos meus filhos mais pequenos, como já fiz um dia com os mais velhos, a história de Max e dos Monstros e reinventar com eles, agradecido, «o sítio das coisas selvagens».

publicado por Ricardo Roque Martins às 12:00 | partilhar