Bernhoft

Antigamente os one-man band eram artistas de circo ou de feira, cuja arte consistia no equilibrismo de tocar em simultâneo uma carrada de instrumentos. Qualquer cotovelo dava para mais uma pandeireta, e qualquer tornozelo servia funções múltiplas.

 

Agora com as pedaleiras de loops, o norueguês Jarle Bernhoft faz tudo sozinho, mas não ao mesmo tempo. Vai construindo a música por partes, liga partes, desliga, troca de guitarra, tira a palheta do bolso de trás das calças, e faz harmonias de voz consigo próprio. O batuque é feito nas costas da guitarra ou com a voz, em beat-box. Toca piano, guitarra, canta normal e em falsete. É ele mesmo o baixo e os pratos da bateria. A imagem de marca são os óculos Ray-ban Wayfarer com lentes claras – ouvi dizer que estão na moda.

 

O que é extraordinário é que o homem é mesmo muito bom músico – consegue ser funky e bluesy na guitarra, nos ritmos, tem uma voz de soul excelente e um falsete seguríssimo e nada afectado. Escreve boas músicas. Tudo com alma.

 

Várias almas, às voltas, em repetição.

 

 


Quem gostar, sugiro que siga por aqui: C'mon Talk; esta fantástica versão do hit dos eighties dos Tears for Fears, Shout, e esta Streetlights (excelente aquela entrada do… cavaquinho).

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 13:17 | comentar | partilhar