Quem decide a Economia

Os fenómenos colectivos só podem ser explicados racionalmente remetendo para fontes de racionalidade e de liberdade. Estas fontes são as pessoas, os indivíduos. É o que estes pensam e decidem que forma as «decisões», com aspas, da sociedade, da Economia, dos povos.

Ora quando passamos para a narrativa económica e política, temos maneiras de simplificar a complexidade envolvida, centrando-nos nalguns actores principais. Assim, descrevemos as «acções» dos países pelas decisões dos seus governantes ou dos seus maiores empresários. E focamo-nos naquela selecção e ângulo dos eventos que nos é reportada pelos media. O resto tende a ficar esquecido. Se não se pode descrever com unidade e racionalidade, como falar sobre isso?

Por isso é que ultimamente nos tem baralhado tanto as conversas a relevância dos «mercados», que nos estragam o esquema, por terem a desfaçatez de não nomearem representantes, e não comparecerem às mesas de negociações nas cimeiras europeias. É giro ver alguns a personificarem desesperadamente «os mercados» só para lhes conseguirem atribuir alguma culpinha pelos males da Economia.

Custa-nos aceitar quando ninguém decide, porque são demasiados, e desalinhados, os que decidem. Mas a verdade é essa, o efeito da Sra. Merkel no euro é real, mas está longe de ser total ou definitivo. O efeito do nosso governo na Economia portuguesa é crucial, mas muitíssimo limitado.


Constato que mesmo as pessoas que sabem perfeitamente isto, que devia ser o «bê-á-bá» das ciências sociais, às vezes no meio da conversa resvalam e começam a tratar a parte do problema que é governável e discutível como sendo a totalidade do problema...

 

Se alguma coisa nos mostra a actual crise é isto: são estreitos os limites do poder dos políticos, para sonharem e fabricarem as instituições e as nações, à margem dos dados da vida. Aliás, milhões de vidas.

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 18:35 | comentar | partilhar