Ou de como o "caso secretas" se tornou o "caso Relvas" (II)

Passos Coelho fez bem em escolher o tema das secretas para o debate parlamentar de ontem, sobretudo com este PS, mas a sua defesa de Relvas  foi política e moralmente errada.

Foi politicamente errada porque o nome do Ministro-Adjunto monopolizou o debate, como era de prever: não se ouviu, da parte do Governo, uma ideia ou proposta sobre os serviços de inteligência portugueses, supostamente o tema principal, porque o Primeiro-Ministro gastou o tempo a justificar o injustificável. Sabendo ao que ia, Passos Coelho escolheu o tema do debate com o único objectivo de branquear o comportamento de Relvas. Ao contrário dos que insistem em desvalorizar o caso, Passos está preocupado. Não admira: quanto mais o seu número 2 se afundar em suspeitas, mais o Governo perde a nossa confiança. 

A defesa de Relvas foi também moralmente errada porque tornou Passos Coelho cúmplice de uma relação demasiado elástica com a verdade. Quando diz que não demite ministros por receberem sms, Passos está a tentar enganar-nos. E eu não gosto de ser enganado, muito menos por quem me cobra impostos. O que torna insustentável a defesa de Relvas não são os SMS que recebeu: é que ele tenha mentido ao Parlamento sobre os seus contactos com Silva Carvalho e que seja acusado pela Directora, pelo Conselho de Redacção e por uma editora do Público de ter feito ameaças mafiosas para impedir notícias sobre esses contactos.

No fundo, é simples. Relvas mentiu ao Parlamento e, de acordo coma doutrina do Primeiro-Ministro (quem mente sai), só lhe resta a demissão. O resto é spin. E fraquinho.  

publicado por Pedro Picoito às 13:52 | comentar | partilhar