Repatriação de emprego, Industrialização e Proteccionismo

 
Como tínhamos antecipado, o plano industrial europeu que se antevê é de inspiração germânica com esperadas nuances gaulesas. Ainda não se sabem detalhes, mas não devemos aguardar rasgos de imaginação. Fazer um plano industrial que serve a Alemanha pode não ser fácil, mas fazer um para o pleno da Europa é algo bem mais difícil. Quem teve sempre os olhos postos no seu umbigo, não é com rapidez que consegue vislumbrar o horizonte. É prudente não alimentar demasiadas expectativas num plano industrial deste género – a China e os EUA já tiveram vários nos últimos anos com sucesso limitado.

 

O plano está a ser delineado, e é agora tempo de moderada esperança, pode ser uma oportunidade única, vai custar muito dinheiro e não poderá ser repetido vezes sem conta. A grande dúvida é: vai este plano corrigir a trajectória de desindustrialização da Europa? A resposta a esta questão é fundamental, porque só ela pode dar alguma esperança aos milhões crescentes de desempregados europeus. E como é que se faz um processo pacífico de reindustrialização da Europa, num mercado global com sobrecapacidade industrial instalada? Eis um desafio imenso, que poucos saberão responder.

 

Os jornais atreveram-se a traduzir o nome do plano industrial Europeu para “Mais Crescimento para a Europa: Emprego, Investimentos e Inovação” – deve estar bem – de acordo com o espírito europeu da época. Se o plano tiver ambição de ser consequente com os objectivos pretendidos, nos próximos meses ouviremos falar de temas que têm andado afastados do nosso léxico económico: repatriação de emprego; industrialização; e proteccionismo. Estas são, hoje, as batalhas que travam brasileiros, norte-americanos, japoneses e chineses, das quais a Europa, sobranceiramente, se auto-excluiu. Se não ouvirem falar destes temas – desconfiem.

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publicado por Victor Tavares Morais às 07:48 | partilhar