Ceci n'est pas une révolution

 

O Público de hoje tinha boas notícias: despacho surpresa de Nuno Crato revoluciona organização das escolas. E o sub-título é de puxar à lágrima, de alegria: palavra de ordem de Crato é "autonomia".

Depois de décadas de revoluções na Educação, emanadas do Gabinete de Inovação (!) do Ministério, sustentadas pelo já famoso eduquês, as crianças portuguesas já estão doutoradas em serem cobaias educativas. Aulas mais curtas, aulas mais longas, dois professores na sala, dinâmicas não-sei-quê e auto-aprendizagens não-sei-que-mais, o Ministério acenava com a batuta e o país engolia.

Esta revolução, que não é tão vasta como o título faz supor, é de outro género. É para dar autonomia. Para deixar as pessoas pensar e agir pela sua cabeça. Para confiar nos professores e dirigentes escolares por esse país fora. Para que as decisões estejam em quem conhece as crianças concretas, e em quem é acessível às queixas e à colaboração dos pais. Para devolver alguma hipótese de controlo a quem se preocupa mesmo pelas crianças porque se a experiência educativa falhar, sabe que não haverá uma segunda educação para os seus filhos.

É só um começo, mas demonstra que Nuno Crato quer mesmo mexer no status quo e quer mesmo dar mais liberdade. Devia ser evidente, mas vamos ver como esperneiam com isto tantos que se dizem sempre amigos (exclusivos) da liberdade. Acusá-lo-ão de impôr a sua ideologia sem discussão prévia, de não alinhar com os teóricos da educação (os que eles lêem, claro). O meu conselho: que se juntem, abram uma escola com os outros que pensam como eles, puxem do seu melhor eduquês e inovem diariamente. Em princípio, o Nuno Crato deixa, e depois já veremos quantos pais inscrevem lá os seus filhos.

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 11:21 | comentar | partilhar