Sobre os educadores démodés

O meu post/artigo mereceu duas respostas de colegas de blog. Rapidamente, só uma nota acerca de cada uma.

 

1. Não rejeito que antigamente a exigência nas escolas pudesse ser mais elevada. Está no artigo. Mas creio que, confirmando-se que o ensino era mais exigente, essa característica se devia, essencialmente, à elitização do acesso à escola. A questão que o Nuno coloca é interessante e, se bem a entendi, pode ser colocada mais ou menos nestes termos: a democratização da educação implica, forçosamente, um diminuir da exigência escolar? Não sei responder. Se tivesse de optar, diria que sim, embora não veja nisso um problema, na medida em que acredito que, apesar da menor exigência no ensino (que permite que mais lhe acedam), os alunos não são todos iguais e continuaremos a ter alunos brilhantes, que em muito superam a exigência nas escolas e que, provavelmente, muito superam em qualidade os bons ou melhores alunos de antigamente. De resto, e nisso o Nuno e eu concordamos, a melhor resposta a esta pergunta é a autonomia das escolas, para que cada uma se possa adaptar (práticas pedagógicas, currículos) às necessidades educativas dos seus alunos, e para que estes limites à exigência deixem de existir centralmente.

 

2. Quanto ao Carlos, se bem entendo o que ele pretende com aquela galeria de retratos, julgo que ele confunde o ponto fundamental do meu texto, embora aceite que talvez o pudesse ter explicitado melhor no artigo (a ditadura dos caracteres não facilita). A minha crítica não é contra quem ataca o actual sistema educativo (eu próprio o faço). Também não é contra aqueles que defendem mais exigência (eu próprio o faço). É contra aqueles que fazem estas duas coisas com base num passado mítico, sugerindo que o melhor para o nosso futuro é regressarmos ao passado. É por isso que chamo à atenção para o facto de a exigência não ser monopólio do passado, e que podemos ser mais exigentes sem pretendermos inspirar-nos num sistema de ensino profundamente elitista, e que rejeita muitos dos valores que hoje, enquanto sociedade, defendemos. Como tal, o “comentário” do Carlos é, a meu ver, resultado de uma leitura simplista do que escrevi e, por isso, um tiro muito ao lado.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 16:15 | comentar | partilhar