Está difícil!

Lendo os posts de Priscila Rego chego à conclusão que devo ser muito confusa a escrever. Não sei bem onde Priscila Rego (ou João Miranda) foram buscar a ideia de que, para mim, diminuição de salários ou diminuição de despesa pública+Justiça a funcionar+desrulamentação+outras são alternativas entre si e que se deve escolher (quem?) uma ou outra (como?). Parece-me que fica claro pelos meus posts, mas talvez não esteja, que aquilo de que discordo é da apresentação dos ordenados como O problema de falta de competitividade das empresas; digo que o problema é outro, mas isso não os torna alternativos. E digo que falar dos ordenados pretende mascarar a incapacidade do governo de reformar o estado, o que também não os torna alternativos; poderia eu acusar o governo pretender mascarar com esta discussão sobre os salários um escândalo de corrupção (se fosse esse o caso) ou das trapalhadas de Relvas, que isso também não tornaria a corrupção ou as secretas uma alternativa à diminuição dos salários.

 

Por outro lado, não vejo também como pode Priscila Rego entender que eu digo que os salários já desceram tudo o que tinham a descer, quando garanto a toda a gente que não tenho uma bola de cristal para os equilíbrios. Digo algo diferente: que têm ajustado para baixo. Não vejo a parte onde digo que não têm de ajustar mais - porque não tenho a bola de cristal e não sei se têm de descer mais ou não.

 

O resto é construção sobre estas más interpretações, mas ainda assim acrescento que quanto às tradicionais baixas taxas de desemprego que costumávamos ter (e já uns bons anitos depois do euro e da inflação à volta de 2%) e aos ajustamentos dos ordenados há que ter muito em conta o único ponto que dá flexibilidade ao mercado laboral e que tem sido fundamental para empresas e trabalhadores indiferenciados: os contratos a termo. Também não consigo entender como um aumento de poupança das famílias resultante de diminução de impostos (os tempos são de aumento da criminalidade pelo que suponho que não guardariam as poupanças debaixo do colchão) - que permitiria que o actualmente escasso crédito bancário às empresas aumentasse, o que por sua vez permitiria maior investimento das empresas e até criação de alguns empregos - teria efeitos negativos nos ordenados.

publicado por Maria João Marques às 11:55 | comentar | partilhar