Confissão por Mozart

Neste livro, publicado pela Lucerna, encontramos textos de três dos principais teólogos cristãos do século XX, entre os quais o Papa Bento XVI. Barth, Balthasar e Ratzinger confessam, num tom franco e pessoal, a sua paixão pela música de Mozart e falam-nos da espiritualidade que nela encontram. A apresentação é de António Vitorino de Almeida e a maestrina Joana Carneiro faz a introdução aos textos. Estes autores professam uma confissão por Mozart, considerando a simplicidade que reina na sua música como que uma ‘fantasmagoria dos primordiais tempos paradisíacos’, a ‘pura inspiração’.

Creio que a leitura destes textos pode levar-nos a escutar com um gozo ainda maior a obra de alguém que viveu quase somente focado na sua realização. Com efeito, trata-se de alguém que se entregou inteiramente à arte musical. Talvez possa-se bem dizer que deu a vida pela música: ‘o número de obras conservadas de Mozart é, em relação ao seu curto tempo de vida, enorme – mas, evidentemente, muito maior é ainda a soma do mesmo com tudo o que nos foi ocultado e que permanecerá para sempre oculto: em todos os tempos da sua vida, ele improvisava com paixão, criando livremente no instrumento, deixando-se levar com naturalidade em concertos públicos, mas frequentemente, também, horas a fio, diante de poucos ou nenhuns ouvintes, sem nunca ter sido escrito aquilo que produziu nesse momentos – um grandioso e único mundo mozartiano que soou e expirou para todo o sempre!...’, diz-nos Karl Barth.

 

BARTH, BALTHASAR, BENTO XVI – Confissão por Mozart. Lisboa: Lucerna, 2012.

publicado por Andreas Lind às 10:22 | comentar | partilhar