Fim do euro (42) Emigrantes portugueses

A pedido de um emigrante português na Holanda, vou escrever algo sobre a sua situação. A primeira questão a esclarecer é que o princípio económico básico em relação às pessoas é serem tratadas em função da residência e não da nacionalidade. Um emigrante português na Holanda contribui para o PIB holandês e não português. Poderá, eventualmente contribuir para o Rendimento Nacional em Portugal se fizer transferências para o nosso país.

 

Assim sendo, um emigrante português na Holanda, para efeitos do fim do euro, deveria ser tratado da mesma forma que um cidadão holandês. Em princípio, os seus depósitos em euros em Portugal deveriam continuar a ser depósitos em euros ou na nova moeda holandesa. Este é o princípio que faz sentido, mas num momento de ruptura brutal, em que tantos contratos vão ser rasgados, é preferível não arriscar e ter o seu dinheiro na Holanda e não em Portugal.

 

Na verdade, para os portugueses em Portugal o ideal é ter o dinheiro noutras moedas que não o euro e em bancos de fora da zona do euro. Fazer previsões cambiais é dificílimo, pelo que convém diversificar as moedas. Faço a sugestão, meramente indicativa, de terem 50% dos vossos depósitos em dólares americanos, 30% em libras e 20% em francos suíços.

 

Porquê em bancos de fora da zona do euro? Porque os bancos da zona do euro correm riscos de falência. Os bancos dos países periféricos, como Portugal, têm elevadas dívidas externas, cujo valor crescerá muito com a saída do euro, podendo levá-los à falência. Os bancos dos países fortes têm quantidades gigantescas de dívida pública dos países periféricos, que correm sérios riscos de incumprimento. Por isso, os bancos dos países fortes também correm riscos significativos de falência. Para um emigrante na Holanda talvez não se coloque o risco de perda de valor do novo florim, mas permanece o risco de falência dos bancos holandeses.

 

Julgo que há ainda outras dúvidas sobre o futuro económico imediato. Após o fim do euro é muito provável uma forte recessão, não só europeia, mas também mundial. O facto de a última recessão ser muito recente agrava as consequências deste fenómeno.

 

No entanto, para países com taxas de desemprego baixas e contas externas saudáveis, como a Holanda e a Alemanha, a recuperação não será necessariamente difícil, tal como não foi após a recessão mais recente.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 12:50 | partilhar