Generalizando...

 

 

Como quem desenha uns bonecos, porventura infantis, à volta de outros posts recentes de camaradas Cachimbos...:

A Democracia é toda ela um sistema de equilíbrio entre representatividade (dar a cada um a sua voz, garantir a igualdade) e governabilidade (conseguir formar eficazmente pareceres e decisões).

Num extremo teórico estaria o governo por todos os cidadãos, um máximo de representatividade (todos teriam a sua voz, igual à dos outros) e um mínimo de governabilidade (impossível, na prática, afinar pareceres e tomar decisões).

No outro extremo, já não tão teórico, está a ditadura por um tirano, com um mínimo de representatividade (uma única pessoa tem uma voz que "ganha" a todos os outros) e um máximo de governabilidade (pensa e decide sozinho, está sempre "em acordo"... ainda que mais tarde isso se vire contra ele).

Ora todos os sistemas democráticos concretos têm um determinado mix de representatividade e governabilidade. É difícil ajuizar qual o ponto de equilíbrio ideal, que aliás varia de país para país e de época para época.

Ao julgar um sistema democrático, se olhamos pelo lado da governabilidade agradecemos a sucessão democrática, os reforços das maiorias, a selecção eficaz do número de vozes que podem intervir, a filtragem dos extremistas, etc.

Se olhamos pelo lado da representatividade tentamos maximizar essas possibilidades de intervenção, equilibrar as possibilidades dos grandes e dos pequenos, evitar distorsões entre votos e deputados, etc.

Estas considerações não dispensam nem substituem o interessante debate para empurrar o mix para um lado ou para o outro: simplesmente o enquadram. Levantaram-se nesses posts questões muito sugestivas, em relação à Grécia, à França e ao nosso Portugal (nos comentários)...

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 17:39 | partilhar