Mais uma

Os "casos Relvas" são como as cerejas: puxa-se um e vêm logo dois ou três. Agora é Helena Roseta que acusa o Ministro-Adjunto de mais uma pressão inaceitável, talvez mesmo ilícita (a ERC que decida). Há dez anos, o então Secretário de Estado de Administração Local sugeriu à então bastonária da Ordem dos Arquitectos uma parceria para formar arquitectos das Câmaras Municipais, dando uso aos fundos europeus do programa Foral. Até aqui tudo bem. O problema é que Relvas, diz Helena Roseta, impôs como condição que fosse uma empresa de Passos Coelho a ficar com o encargo, o que ela recusou.

Eis uma historieta provavelmente semelhante a tantas outras envolvendo dinheiros europeus, autarquias e um poder central gerido em regime mafioso, vamos sabendo agora, ainda antes de Sócrates (um dos ministros que tutelava o Foral era - adivinhem - Isaltino Morais). E ao lado das triangulações mais sulfurosas entre empresas privadas, serviços secretos e maçonaria, que já deram a Relvas um lugar de destaque na crónica da presente legislatura, a coisa até parece inocente.

Sucede que Helena Roseta é quem é e não consta que tenha especial interesse em impedir a sagrada privatização da RTP. O spin está cada vez mais difícil. A Sicília está cada vez mais perto. O que vale, com um bocadinho de sorte, é que ainda ganhamos o Europeu e depois vai tudo a banhos.

publicado por Pedro Picoito às 23:34 | partilhar