Ainda os Jotas

O Pedro Picoito escreveu aqui um excelente post sobre os jotas. Vou tentar acrescentar alguns pontos e começo com uma declaração de interesses: pertenço, como já o referi, à geração dos  jotas que hoje ocupam o Poder e também fui jota enquanto andei pela Faculdade; depois não dei, durante muitos anos, continuidade à intervenção política e aderi a outros desafios. O mesmo aconteceu com quase todos da minha geração. Os anos finais da década de 80 foram tempos (que se prolongaram pela primeira metade dos anos 90) de grande crescimento económico e com muitas oportunidades profissionais. Também nesse tempo se iniciou o regresso à vida profissional das elites (na verdadeira dimensão desta palavra) que grandes contributos deram no período após 74. Por outras palavras, o campo ficou aberto para aqueles jotas que fizeram da política a razão das suas existências: por abandono das elites (tradição muito vincada em Portugal desde a partida da Família Real para o Brasil no início do Sec. XIX) e também por desinteresse das potenciais novas elites. Não pretendo desculpar qualquer dos ditos jotas mas convém ter presente a responsabilidade de todos neste historial.

O que aconteceu, sucessivamente, nos dois maiores partidos, foi a ocupação dos cargos públicos e também das direções partidárias. Começando a nível local, posteriormente distrital / regional e por fim no patamar nacional. Este é outro ponto a destacar: o crescimento em simultâneo no partido e no poder público. Tendo em atenção que ninguém os “travou”, tiveram tempo para montar aquilo a que hoje se designa uma rede de contatos e interesses; isto ganhou ainda mais peso na medida em que as poucas elites que permaneceram nos Partidos não tinham “pachorra” para o chamado aparelho. Tudo isto ocorreu durante alguns anos e de uma forma relativamente discreta; até ao dia em que os candidatos às lideranças nacionais dos partidos se deram conta que para aí chegarem tinham de recorrer aos “serviços” daqueles que dominavam as estruturas partidárias. Mesmo quando a escolha dos líderes passou a ser por via de eleições diretas? Sim porque quem passou a votar foram os “cacicados” (os outros, uma vez mais, estavam longe da política e, progressivamente, deixaram de ter paciência para se deslocarem às Secções). Assim se percebe a importância progressiva dos “sempre” e muito ativos (ex) jotas. Também assim se entende porque ficam “amarrados” os líderes do PS e do PSD e, muito especialmente, quando assumem cargos públicos. Pior ainda é a instalação desta postura nos partidos. Com a agravante de os atuais jotas (com idades entre os 18 e os 30) estarem a crescer em estruturas que de política apenas sabem discutir lugares. O resto está muito bem descrito pelo Pedro Picoito

publicado por Vasco Mina às 17:35 | partilhar