The National

 

Sem me preocupar em dar uma visão geral da sua música, queria abordar os The National por um ângulo muito concreto que me fascina neles: cada vez mais os ouço como uma banda feita com voz e bateria e outras coisa à volta. Ora isto não é o mais normal, o normal é as bandas serem voz e guitarra com outras coisas à volta.

 

A voz é de Matt Berninger. É barítono e isso nota-se, dá o tom à banda. Escreve as letras em frases simples, pouco ligadas, pouco interpretáveis, mas intensas e pessoais, perturbadas.

 

Não quero desvalorizar os gémeos das guitarras e o baixista: são excelentes, e são admiráveis também pela classe e subtileza com que cedem o protagonismo. É deles a cola que segura as canções, uns arpejos aqui e uns feedbacks acolá para dramatizar; uns sublinhados, uns toques. Less is more aplicado na perfeição. Quando entram, entram bem, são mesmo bons músicos e por isso lhes fica tão bem admitirem o registo humilde.

 

Mas assim chegamos ao "maestro" Bryan Devendorf, que considero um dos melhores novos bateristas do rock actual. Devendorf é admirável a toda a linha. O seu kit tem um som próprio, simples e equilibrado, sente-se que há cuidado na selecção e afinação de cada peça. A sua abordagem é, como disse, de condução da música e não de mero acompanhamento.

 

Os seus ritmos, li algures, demoram a repetir, mas depois repetem mesmo. Ou seja, não é uma bateria muito livre, não é jazz, o seu virtuosismo não é de solo de bateria contínuo; ele faz padrões em ciclo, mas estes são ricos, levam pequenas nuances em cada volta, para só repetir totalmente mais à frente. Nunca há uma drumline banal nos The National: consigo ouvir os dois últimos albuns seguidos (Boxer e High Violet) só à escuta da bateria, e é um prazer.

 

 

Escute-se como exemplo este Bloodbuzz Ohio. Deliciosa aquela pausa, quebrada pela entrada da bateria, aos 2m 35s: é Bryan Devendorf a tirar-nos o apoio durante uns segundos para depois voltar em força... quando já nos mostrou quem manda na canção...

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publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 21:41 | partilhar