Devemos preocupar-nos com a Demografia? (II)

 

Num post anterior discuti o modo como o declínio da natalidade num país remete sempre para um problema cultural: temos de ver se estamos confortáveis com a ideia de na próxima geração termos um Portugal com muito menos população, ou com uma população (imigrada) muito diferente. É uma alternativa: ou teremos uma ou a outra; e ou isso nos incomoda ou não.

 

À primeira vista, para quem goste de multiculturalidade e abertura, tudo isto podia parecer indiferente. Queria agora argumentar que além dos perigos culturais há também perigos económicos.

 

Ter muito menos população, e uma pirâmide demográfica invertida, gera tantos problemas económicos que nem vale a pena deter-me a listá-los. E com a dívida que temos, e uma segurança social que promete o que não pode cumprir, ainda se torna mais grave.

 

E a outra hipótese: podíamos compensar com imigração? Certamente tiraríamos algumas vantagens: os imigrantes podem chegar pobres, mas trazem sempre consigo alguma riqueza humana e cultural que abrilhanta o nosso país. Mas se o fenómeno for demasiado vasto não podemos deixar de observar que nos arriscamos a encontrar daqui a uns anos um país de desenraizados, de gente em dificuldades (porque é difícil emigrar), de famílias quebradas (porque os emigrantes vêm muitas vezes separados), de gente que está a começar do zero.

 

Ou seja, mesmo uma imigração bem sucedida, quando é em larga escala, não pode deixar de "queimar" uma ou duas gerações que terão a vida complicada com as dificuldades de integração, da adaptação à língua, aos costumes, ao clima, à alimentação, às instituições, etc...

 

É muito mais fácil educar um bom português num lar português do que transformar um emigrante num bom português. Se tantas vezes os emigrantes nos dão provas do contrário, dando-nos exemplo em tantas virtudes, é só um sinal maior da falência de alguma da nossa educação: é fazer pior o que era mais fácil...

 

Não afirmemos de ânimo leve que o nosso declínio de natalidade "se resolve", ou que "se resolve com imigração", ou que "depois já vemos como nos safar". Um forte decréscimo na população autóctone de um país é sempre um problema sério, de consequências vastas e prolongadas no tempo.

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 13:27 | partilhar