Fantásticas Utopias

 

2013 será, pelo menos na Nova Zelândia, o «Ano Internacional da Criatividade». Claro que nós, sob égides várias - leia-se Unesco e Comissão Europeia,  - antes de um dos povos mais felizes do mundo nos alargar o sorriso,  já pensámos em coisas bem mais divertidas e inspiradoras como a água, o cidadão, a estatística para o próximo ano. Os grandes temas da eco-sustentabilidade e da cidadania que já não se podem aturar e a  estatística que não tem ponta por onde se lhe pegue.  Todos torcemos por esse funcionário incumbido de ter todos os anos uma grande ideia,  não obstante não estar a passar uma fase muito boa, que seja brioso no cargo e não abdique… um dia vai conseguir.

«The Soul of Giftedness» é uma conferência que terá lugar na Nova Zelândia em Agosto de 2013 pensada para «fomentar um investimento nos alunos criativos gerando  entusiasmo na comunidade por este domínio do conhecimento». É obvio que o vazio que eles vêm à volta daquela grande ilha não será nunca tão vazio como o que eu vejo à minha volta , antes fosse.  Essa capacidade distintiva ligada à inteligência própria de vidas complexas e interessantes está nos antípodas da nossa Europa. Até ao último século eramos nós, os europeus, a ter sonhos. Sonhámos como ninguém com submarinos a vapor, televisões, balões de ar quente, viagens à lua e ao centro da terra, máquinas que projectavam a ilusão do movimento. Sonhos antecipatórios, premonições, profecias loucas e risíveis, fantásticas utopias. Em todas as áreas do saber sonhámos como poucos e por isso ousamos realizar como poucos. Dos submarinos do Julio Verne às idas e vindas da lua de George Méliès e Hergé. Da queda do Ícaro aos voos imaginados de Leonardo Da Vinci.  Da ilha Utópica de Tomás Moro às cidades invisíveis e impossíveis de Italo Calvino e Jacques Tatti.  A crise da Europa é também uma crise de sonhos. Uma ilha rodeada de gente cinzenta por todo o lado.

 

 

 

publicado por Ricardo Roque Martins às 08:00 | comentar | partilhar