Conceito Estratégico de Defesa Nacional (I)

Vai ser entregue ao Governo no próximo mês de Setembro uma proposta sobre as Grandes Opções do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, proposta que será posteriormente submetida à Assembleia da República para debate. O documento será da responsabilidade da comissão nomeada para o efeito.

Os políticos já deram as directivas à comissão: as ministeriais e as partidárias. As palavras do ministro da Defesa Nacional, cuidadas e politicamente inteligentes acusaram uma preocupação com a racionalização dos meios (necessária sem dúvida), mas ainda nada revelam quanto à amplitude dos cortes e qual o significado da apregoada articulação entre as dimensões da política de defesa e da política económica (a grande incógnita), depois da “diplomacia económica” surge agora, na mesma linha, “a defesa nacional económica” – e aqui, a questão é bem mais delicada. Já os deputados falaram para a imprensa, com linguagem politicamente menos sofisticada, articularam um racional mais limitado e falaram abertamente do que desconhecem: o “duplo uso” das forças armadas – cujo alcance, para muitos, não passa de fazer das FFAA um corpo de protecção civil supletivo, profissional e barato. Depois do fim do SMO a próxima fase do populismo é o “duplo uso”.

Começa-se por estranhar que numa comissão de 26 personalidades, que tem como objectivo produzir um documento sobre defesa nacional, integre apenas 3 oficiais generais (e nenhum no activo). Para um tema desta natureza a componente técnica e profissional está sub-representada. Não se entende o porquê.

Esta comissão é uma chuva de estrelas mas não alimentem expectativas elevadas. No final vamos ver para que serviu todo este exercício.

publicado por Victor Tavares Morais às 14:08 | partilhar