28 – As Oficinas

Ainda o eléctrico mal arrancou dos Prazeres temos pela frente a estátua de S.João Bosco e o Colégio dos Salesianos. Este foi conhecido, desde a sua inauguração em 1906, como Oficinas de S.José. É talvez a primeira escola não estatal de ensino técnico e profissional. O nome vem de uma escola oficinal criada em 1890 na Rua das praças à Lapa. Em 1896 chegaram os Salesianos á escola que a quiseram desenvolver e por isso adquiriram os terrenos junto ao Cemitério. Em 1910 os Salesianos são expulsos (a República extinguiu todas as Ordens Religiosas) e em seu lugar surgiu um Hospital Militar e depois o Quartel dos Sapadores dos Caminhos de Ferro. Em 1920 o edifício é devolvido, num estado lastimoso, à Sociedade Salesiana. Antes e depois, as Oficinas de S. José destinavam-se à formação profissional de rapazes pobres e abandonados. Dispunham de vários cursos de artes e ofícios, para além da instrução primária e secundária. Em 1974 a escola sofre nova ocupação com o desmantelamento das suas oficinas e equipamentos. Mais tarde o edifício é novamente devolvido aos seus proprietários que então o transformaram no Colégio que hoje conhecemos. Curioso mesmo nesta história é o confronto ideológico sobre o ensino e em concreto o profissional. As forças ditas progressistas nunca viram com bons olhos a presença da Igreja na formação das crianças e jovens e sempre que puderam expulsaram ou limitaram as obras religiosas nesta sua missão. A presença dos Salesianos sempre foi um exemplo de serviço aos mais necessitados mas foram literalmente corridos e em substituição das suas obras surgiu o nada. Ainda a propósito dos Salesianos refira-se que esta designação se relaciona com o nome oficial desta congregação – Sociedade de São francisco de Sales. O seu fundador, S. João Bosco (cuja estátua se encontra, desde 1988, em frente à paragem do 28), dedicou toda a sua vida à educação dos mais pobres e por isso seja esta a vocação primeira dos Salesianos.

 

 

 Mas as oficinas não se confinam à Obra Salesiana. O que hoje conhecemos desta zona de Campo de Ourique (e até ao polo fabril de Alcântara) teve uma significativa ocupação industrial ao longo do Sec. XIX e até meados do Sec. XX. Até por esta razão as Oficinas de São José estavam devidamente enquadradas. Destaca-se a Empresa Cerâmica de Lisboa que foi edificada no local onde posteriormente foi construída a Igreja de Santo Condestável. As chaminés fabris faziam parte da paisagem desta zona de Lisboa e ainda hoje se pode ver este exemplar que resistiu ao passar dos tempos.

 

 

 

publicado por Vasco Mina às 10:23 | comentar | partilhar