O novo P

Ainda esperei uns dias para ver se era apenas uma primeira impressão. Leio o jornal desde que me conheço, há hábitos que se criam, talvez fosse apenas aversão à mudança. Mas não. A opinião mantém-se: não gosto da nova imagem gráfica do Público.
A letra está pequena, não apetece ler, sobretudo os textos de opinião, a grande força do jornal. As páginas estão cheias, falta espaço para respirar. A nova organização parece confusa, talvez ainda falta de hábito. Compreendo a necessidade de actualizar o logótipo, inclusive para resultar na net, mas substituir uma marca forte por um banal “P”, sem história e sem graça, parece um novo-riquismo de mau gosto e arriscado. O que os títulos e destaques ganharam em cor perderam em elegância.
Lamento o final da Xis, pela variedade e qualidade dos temas que trazia. A Pública mantém-se medíocre, sem personalidade: um amontoado de artigos e fotos, sem unidade e um fio condutor. Dou o benefício da dúvida ao Ípsilon. Quanto ao Inimigo Público continua a perder fôlego, talvez o humor não seja mesmo eterno. Persiste a fixação nas piadas contra o José Manuel Fernandes, há ali qualquer coisa.
Compreendo que se tinha de mudar para conquistar – ou não perder – leitores para os novos espaços digitais, mas tal não devia ser feito com prejuízo da consistência e do registo próprio de um jornal de referência. Prefiro mudanças tranquilas, subtis, como a do Diário Económico - mudou muito, alguém notou? - às revoluções gráficas que atacam regularmente certos jornais portugueses. Espero enganar-me, mas não parece ser ainda desta vez que o Público vai levantar a cabeça.
publicado por Paulo Marcelo às 10:36 | comentar | partilhar