Da política como obra de arte


Karel Appel, Dança amorosa, 1955

Faz todo o sentido considerar-se que um poema de Hugo Ball ou que um quadro de Karel Appel não tenham "culpa" da sua não-"aceitação" por parte do público. Uma peça daquelas é um acontecimento imprevisto e imprevisível que interpela o olhar do espectador - e isso pode ser recebido com estranhamento ou com incómodo.
Mas há quem veja as opções políticas de um governo como obras de arte. Isto é, elas estão aí, emanadas do executivo, e são, por definição, "certas", inscrevem-se num contexto alheio a qualquer escrutínio e o público que as não compreende está, ele sim, apenas errado. Não está, ainda, suficientemente educado para as aceitar - com prazer estético, certamente.

publicado por Carlos Botelho às 10:30 | partilhar