Mito?

No Blasfémias, Pedro Arroja classifica como "mito" a ideia da existência, por cá, de um "país rural" entre os anos 30 e 70 do séx. XX, apresentando como dado de refutação a percentagem que este sector representava no PIB ao longo desse período temporal.
Seria assim:
1930: 30%
1940: 29%
1950: 31%
1960: 20%
1970: 12%

Mas como um país são as suas pessoas, e por essa mesma razão Salazar jamais será considerado um patriota, pelo menos no meu critério, gostava de dar ao Pedro Arroja os seguintes dados, referentes apenas ao Continente (exclui regiões autónomas).
"País Rural" = População Agrícola*:
1060: 3,479,385
1970: 3,130,564
1981: 2,852,949
1991: 1,935,541
2001: 1,227,573

* (A população agrícola compreende a população activa e não activa ligada a explorações agrícolas pelo trabalho e/ou vivência familiar)

Não por acaso, já em tempo de governos decentes e sujeitos à crítica, à concorrência, alternância e abertura ao mundo, foi precisamente a redução da percentagem da população no sector agrícola e migração para outros sectores, nomeadamente serviços, um dos indicadores mais elogiados internacionalmente:

«A performance é indiscutível: o desemprego baixou para 4% em 1991, apesar de a redução de 20% para 10% da população agrícola activa verificada entre 1985 e 1991 ter constituído um desafio suplementar em termos de luta contra o desemprego»

Jacques Delors, 1997, sobre Portugal.


É verdade, há vários mitos sobre o Estado Novo, mas deixe que lhe diga que, nesse campeonato, nenhum rivaliza com ele próprio nem com as suas "bondosas" criações.
publicado por Manuel Pinheiro às 15:20 | comentar | partilhar