Sem Medo das Palavras

De direita, liberal e, em Portugal, reformista. É curioso, porque esta seria a forma como responderia à pergunta da jornalista a que Passos Coelho respondeu apenas com um "reformista e liberal", eclipsando a primeira distinção. O Vasco Campilho esforça aqui uma possível defesa, alegando que "ao recusar posicionar-se na dicotomia esquerda/direita, Pedro Passos Coelho reconhece que essa dicotomia diz pouco aos portugueses". Talvez diga, talvez não, há certamente muita coisa que diz pouco aos portugueses, muita dela estudada e documentada no Eurostat ou na OCDE, e olhe que não é para especial contentamento.

Talvez a direita não diga muito aos portugueses, mas a esquerda certamente dirá ao ponto de quase 20% quererem votar hoje na sua extrema. No Partido Socialista não lembra ao diabo alguém dizer que não é de esquerda, e não é por esta proclamação com pulmões cheios que o "centro" político português deixou de dar maiorias a Guterres ou a absoluta a Sócrates, ou eleger e reeleger Mário Soares, apenas para citar exemplos mais recentes. Aliás, Pedro Passos Coelho tente levar e vender o seu projecto ao Partido Socialista, recomendo-lhe que vá abrigado, tal a chuva de críticas que lhe cairia em cima acerca de certos e determinados valores da "esquerda republicana". Talvez saísse de lá com uma visão renovada acerca da utilidade da antiga dicotomia.
publicado por Manuel Pinheiro às 16:40 | comentar | partilhar