O que conta para Sócrates


Este filmezinho é muito interessante, porque revelador. O primeiro-ministro lá reconhece que o que aconteceu é "inadmissível" e "não podia ter acontecido". Até aqui tudo bem.
Mas, na verdade, tudo mal. Acontece que, para Sócrates, o comportamento de Manuel Pinho, é "inadmissível", não por ser inaceitável em si mesmo, mas sim porque, adivinhem, "afecta a imagem do governo". É isso que preocupa realmente o primeiro-ministro. Mais adiante, lá volta dizendo que "lamenta que tivesse acontecido" por prejudicar, mais uma vez (e sempre em primeiro lugar), a "imagem do governo" e, finalmente, lá se lembra de mencionar "o respeito do parlamento". (Na verdade, aquilo desrespeitou-nos a todos, não apenas o parlamento.)
Se Sócrates fosse um primeiro-ministro que pusesse em primeiro lugar aquilo que deve estar em primeiro lugar, nunca veria no caso um problema de imagem do lado do prevaricador. É que não se trata aqui de "imagens". Mas talvez Sócrates não alcance isso. Parece que, para ele, um comportamento, uma frase, é condenável somente na medida em que prejudica (a imagem de) o seu praticante.
Por outro lado, é nestes episódios que se vê muito bem que, para Sócrates, a "democracia" e o tal "escrúpulo democrático", com que ultimamente enche a sua boca e os nossos ouvidos, não passam de voces.
publicado por Carlos Botelho às 22:49 | comentar | partilhar