A Nova Escola

Nos tempos que (es)correm, dir-se-ia que a Escola não serve já para avaliar alunos, mas sim para avaliar professores. Este é um dos equívocos fundamentais. Depois, venham queixar-se. É o ar do tempo (mais miasma do que ar, o ar fétido que vamos respirando)? É consensual? Talvez, mas não é por isso que deixa de constituir um equívoco. O critério que define uma pulsão política ou social como patológica não é, não pode ser, o estatístico.
É próprio destes equívocos não serem reconhecidos como tais - devem-no à sua transparência. E assim, aparecem investidos de "objectividade". Na verdade, não são mais do que sub-produtos de uma perspectiva. E é esta que deve ser submetida a exame - não os seus corolários-pretextos, apenas derivações (inevitavelmente bem intencionadas) da perspectiva. Enredarmo-nos na discussão das propostas, dos "projectos" (sejam eles a "avaliação" disto, a "liberdade de escolha" daquilo ou o "sucesso" ou a "qualidade" daqueloutro) é perder de vista e deixar incólume o núcleo "ideológico" que os alimenta. Mas o equívoco está aí. O resto é paisagem. E feia.
publicado por Carlos Botelho às 13:30 | comentar | partilhar