Pinho: a propaganda de rosto humano

Num "périplo de quatro dias por mais de 15 fábricas" andou o ministro Manuel Pinho, conta-nos o Diário de Notícias, sempre generoso com o governo. Vale a pena registar algumas frases do ministro:
Bem se vê que o ministro fala das pessoas (as tais que "estão aflitas" e que ele usa como figurantes da sua propaganda) com um paternalismo insultuoso, mas, apesar do seu discurso tipicamente reaccionário contra as "teorias" (o velho rancor de quem não pensa nada) e contra as "atitudes rezingonas" (uma outra versão dos "insultos" de Sócrates e que não são mais do que oposição pura e simples), ele sabe muito bem que está ali em acções de propaganda, está ali a fazer política - e da partidária. Se não, vejam-se os seus apartes tão reveladores:
-Em Paços de Ferreira, com um Pedro Pinto autarca do PSD, entusiasmadíssimo com o ministro, ele considera que a fábrica da Ikea é "uma espinha cravada no coração do PSD". Reflecte: "A oposição, quanto mais fala em PME [Pequenas e Médias Empresas] mais me ajuda";
Deste modo quase repugnante, Pinho reve-se como uma espécie de proprietário eleitoral "daquela gente". Aliás, proprietário tout court, porque, no mundo ideal da sua cabeça, nem seriam precisas eleições. "Aquela gente" adora-o, pertence-lhe como criaturas menores que querem apenas ser salvas por ele e não querem nada com "teorias", com sindicalistas e, presume-se, com aquela senhora "rezingona" da oposição.
publicado por Carlos Botelho às 01:06 | partilhar