Ricos Pobres

Gostava imenso que os nossos pobres (portugueses) tivessem o mesmo rendimento dos pobres americanos do post citado abaixo pelo Pedro Picoito. Convém lembrar, apesar do tema ser muito discutido, mas há sempre quem não saiba, que esses pobres o são em termos relativos. Digamos que o José Sócrates é relativamente pobre se sentado à mesa com o Belmiro e o Ricardo Salgado. Há portanto uma fatia da sociedade americana que é relativamente pobre quando comparada com a média do país.

Esses índices de pobreza relativa acabam por medir melhor desigualdade (relativa) do que miséria (algo mais absoluto), mas nem assim são um grande indicador. Qualquer índice nacional atribui o mesmo valor a $USD 10,000 em New York ou no Mississippi, com as distorções que facilmente se deduzem.

Só uma nota em relação aos seguros de saúde. Não sendo um especial apreciador de um conjunto de áreas no sistema de saúde americano, gostava de lembrar que num país onde a cobertura médica é imensamente realizada através dos planos de seguros providenciados pelos empregadores, é normal que, sendo também um país com mobilidade no emprego, esses mesmos seguros quebrem no final dos contratos e deixem o cidadão temporariamente sem plano de saúde. Ou seja, há um desemprego flutuante de curto/médio prazo, onde se incluem milhões de americanos em mudança de emprego, que fornece volume a esse indicador de pessoas sem seguro. Convém então lembrar que esta é uma situação temporária (e desagradável, no entanto) para muitos desses cidadãos.

Existe um conjunto de opções para os desempregados continuarem a usufruir do mesmo seguro que detinham antes da terminação do seu contrato, por exemplo através de um programa chamado COBRA que permite a continuação através do pagamento do prémio de seguro, mas julgo que apenas 20% das pessoas com essa opção o fazem, dado ser um custo elevado face às incertezas do desemprego.

Os EUA não são o Elísio, mas é sempre bom calibrar devidamente as críticas.
publicado por Manuel Pinheiro às 12:20 | partilhar