Um Partido sem regras?

Falou-se muito sobre a rebaldaria do Conselho Nacional do CDS/PP.

Mas foram em menor número os que se indignaram com outra rebaldaria que, a meu ver, é muito mais grave. Refiro-me ao Conselho Nacional de Jurisdição (CNJ), cuja crise atinge o coração institucional do Partido.
Porque um Partido não pode aspirar a ser uma instituição - e muito menos credível - sem regras.
Sem regras há pessoas e partidos unipessoais.
Ora, é gravíssimo que dois dos vogais do CNJ acusem a última decisão deste órgão de ter um carácter político.

E é no mínimo surpreendente que o Presidente do CNJ colocado diante das mesmas questões - aplicação do Código Civil e alteração dos estatutos-, em dois momentos diferentes, adopte entendimentos jurídicos incompatíveis (em 1999, com Paulo Portas a Presidente, e agora).

Digo, pois, com tristeza, que o Conselho de Jurisdição prestou um péssimo serviço ao Partido. A sua conduta foi gravíssima nas consequências imediatas, mas também na afirmação da ausência de previsibilidade das suas decisões. Empurrando deste modo o Partido para a sua "personalização", mais do que para a sua institucionalização.

Neste âmbito, a resposta à pergunta deste post é, em meu entender, essencial para um Partido que se quer com horizonte. Sem regras, sem um corpo institucional que vá para além das pessoas e das maiorias de cada momento, o CDS/PP não construirá um futuro fora da dimensão duma banda. Não estará aqui a razão porque a cada confronto e a cada derrota, metade do CDS/PP desaparece?
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 14:40 | comentar | partilhar