Antikythera

Notícias sensacionais. No último número da Nature é dado destaque à reconstrução do mecanismo -- ou maquineta, geringonça, como lhe queiram chamar -- Antikythera (O μηχανισμός των Αντικυθήρων) .

O Antikythera é um mecanismo fascinante e misterioso, uma surpreendente peça de maquinaria de ca. séc II. a. C., recuperada do fundo do mar em 1902. A partir dos anos cinquenta, sobretudo devido aos esforços do historiador Derek de Solla Price, começou a ser estudado em pormenor, e os resultados aparecem finalmente ao público. Diz quem o viu recentemente numa exposição: «It looks like something from another world — nothing like the classical statues and vases that fill the rest of the echoing hall. [...] But it is the details that take my breath away. Beneath the powdery deposits, tiny cramped writing is visible along with a spiral scale; there are traces of gear-wheels edged with jagged teeth. Next to the fragments an X-ray shows some of the object's internal workings. It looks just like the inside of a wristwatch. [...] These fragments contain at least 30 interlocking gear-wheels, along with copious astronomical inscriptions. Before its sojourn on the sea bed, it computed and displayed the movement of the Sun, the Moon and possibly the planets around Earth, and predicted the dates of future eclipses. It's one of the most stunning artefacts we have from classical antiquity.»

Mas isto ainda é dizer pouco. Acima de tudo o que interessa perceber é que «No earlier geared mechanism of any sort has ever been found. Nothing close to its technological sophistication appears again for well over a millennium, when astronomical clocks appear in medieval Europe. It stands as a strange exception, stripped of context, of ancestry, of descendants.» Ou seja, o Antikythera é a pontinha minúscula do iceberg da nossa ignorância histórica; a sua complexidade recorda-nos que sabemos muito pouco, mas muito pouco mesmo, sobre o que era a vida na Antiguidade.

... nas vésperas de um Benfica-Sporting duvido que alguém ligue a isto...
publicado por Joana Alarcão às 17:27 | partilhar