Lá vamos nós outra vez

Depois do seu soldado... desculpem, do seu camarada de partido Sérgio Sousa Pinto dar-nos umas lições sobre democracia representativa, foi a vez do Primeiro-Ministro de Portugal, no debate de ontem na Assembleia da República, tocar o trompete para a união dos defensores da democracia parlamentar.
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Quando escrevi isto, devia ter tornado explícito que nos aguarda um longo desfile de brados indignados contra os que atacam a bela da democracia representativa. Volto a insistir no mesmo ponto. Publicidade e discussão acerca de uma reforma constitucional fundamental é o que está verdadeiramente em causa. E eu até aturo a retórica do Primeiro-Ministro quando tem de justificar por que é que não está a violar promessas eleitorais (ex: a reforma do código de trabalho que aí vem) ou quando nos tenta convencer que não está em curso uma perigosa concentração de poderes na sua pessoa. Mas a conversa tonta sobre a democracia representativa e os seus inimigos excede o limite da minha boa-vontade.
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Vale a pena repetir? Entre esta retórica mal amanhada do PS e a "demagogia" dos referendos, escolho a "demagogia". Por vezes, é preciso salvar a democracia representativa dos seus guardiões. Com muita "demagogia", claro.
publicado por Miguel Morgado às 01:18 | comentar | partilhar