Novas Oportunidades

Elon Musk criou as suas. Saiu da África do Sul aos 17 anos para fugir ao draft, emigrou para os EUA sem a ajuda dos pais, onde se diplomou em gestão e estudou física. Fundou o Paypal, entretando vendido ao eBay, criou a SpaceX, preside à Tesla Motors e à SolarCity.

Elon tem hoje 35 anos, e não encaixa propriamente no conceito de sucesso partilhado por uma grande maioria dos portugueses, que vê o conceito apenas possível através de uma de duas formas: o enriquecimento rápido e mediático (um euromilhões, uma floribela) ou ilícito (...).

Também não encaixa lá muito bem no elogio típico (generalização) da blogosfera, demasiado entretida no elogio dos mortos e na crítica aos vivos, excepto se estes últimos forem académicos, escritores ou artistas; do mundo da criação e da abstracção, da discussão lógica, da criação de ideias e pequenos universos que começam e acabam em si, definem as suas regras e dependem de pouco ou nada fora destes. É fácil elogiar uma canção ou um poema. Uma tese, uma ideia.

Tudo quebra depois na realidade, na transposição. Quem, por exemplo, entra na política ou nos negócios perde logo a benção blogosférica, enche-se de defeitos, no limite perdoa-se-lhe a pena capital, mas o exílio em Elba talvez não fosse desmerecido. Porque partilhou gabinete com X, porque na empresa Z tem capital de Y, porque poupou milhões mas o sacrossanto tribunal de contas diz que houve erro no formulário e aponta "irregularidades".

Há qualquer coisa de errado e ligeiramente doentio nesta descontinuidade tão forte no elogio, como é que um país tão imperfeito consegue ser tão intolerante face às alegadas imperfeições dos outros, e porque é difícil ouvir um elogio dirigido a quem pode, a qualquer momento, errar ou desiludir? E porque é que cada erro é sumário e não medido em relação aos restantes acertos? Até aqui chega a nossa presente aversão ao risco?

A forma como nos relacionamos, ou como não nos relacionamos, com este mundo de incerteza, risco e decisão, explica em parte a posição que ocupamos nos níveis de riqueza da UE mais, vá lá, ocidental. Hoje... porque à medida que os anos passam e tudo continuar na mesma vai mesmo deixar de ser preciso fazer a distinção. Novas oportunidades para quem?
publicado por Manuel Pinheiro às 16:38 | comentar | partilhar