Tiepolíticas

Afinal, o "caso Tiepolo" é ainda mais extraordinário do que parecia. Segundo o Público, a leiloeira, a poucas horas de levar o quadro à praça, garante ter um despacho de Isabel Pires de Lima informando que o quadro não está classificado, mas "em vias de classificação". Aquilo que os jornais descreveram como a classificação de 1939 terá sido simplesmente um mero arrolamento da obra, sem quaisquer efeitos legais desde a nova Lei do Património de 2001. Cenário que só se terá alterado com o início do processo de classificação como "bem de interesse nacional", depreende-se que por Pedro Roseta, há quatro anos, processo entretanto contestado em tribunal pelos proprietários.
Se isto é verdade, o quadro pode ser vendido para o estrangeiro, o que aumenta as hipóteses de amanhã ser comprado por um particular. Mesmo que o valor de base da licitação tenha já subido de 1 milhão e 250 mil euros para 1,5 milhões...
A Ministra nega e diz que o quadro está classificado, o que significa que alguém está enganado. Ou a mentir.
Se é a Ministra, então o Estado português não conseguiu concluir o processo de classificação de um Tiepolo em quatro anos (!) e, à conta disso, talvez o venha a perder definitivamente.
Se não é a Ministra, então seria bom chamar a leiloeira à razão pelas vias que os juristas da Ajuda entenderem mais convenientes.
De qualquer modo, espera-se que desta vez haja consequências políticas do imbróglio. E que Isabel Pires de Lima não venha atirar as culpas para cima de um contínuo que se esqueceu de meter uma carta no correio, ou qualquer coisa do género.
Há limites para a falta de vergonha.
Até num governo socialista.
publicado por Pedro Picoito às 23:06 | comentar | partilhar