Escrever à esquerda (3)

Há uns tempitos atrás, um jornalista da nossa praça entrevistou Manuela Azevedo, vocalista dos Clã.
Manuela Azevedo não é tema, por si só.
Já a vocalista dos Clã é diferente. É a face mais visível de um grupo musical de qualidade, ou seja, que vende, que é ouvido.
A uma pergunta sobre si própria, a vocalista dos Clã respondeu:
- «Sou do povo e sou artista, logo, sou de esquerda».
Manuela Azevedo não é relevante em termos políticos. Relevante é o que se escreve acerca do que ela diz e o que ela diz para, sobre ela, se escrever.
Sobre o que ela diz, direi que estamos em democracia: há que respeitar.
Sobre o que fundamenta a sua cruz, em momentos eleitorais, há que esperar. Pode ser uma questão geracional, pode passar pela reforma do sistema de ensino ou por uma mera alteração dos lugares-comuns de cada tempo.
A evolução do povo português tem feito um caminho. E as coisas da vida são como são e respostas como as de Manuela Azevedo hão-de ter os dias contados.
Quer os artistas, quer o povo, exigirão mais.
Há de passar por aqui aquilo a que chamamos "Sociedade da Informação".
É uma questão de tempo e, em democracia, também há que saber esperar...
publicado por Joana Alarcão às 01:39 | comentar | partilhar