2007: Política nacional

Na política nacional, o ano fica marcado por dois acontecimentos: a vitória do "sim" no referendo do aborto, a 11 Fevereiro, e a vitória de Luís Filipe Menezes nas directas do PSD, a 29 de Setembro.
Da primeira, já tudo se disse. É um sucesso de Sócrates, que liderou (ou fez que liderava) a campanha do PS, tirando esta bandeira à extrema-esquerda. A liberalização do aborto por referendo implica também a queda de uma barreira psicológica: pela primeira vez, uma causa fracturante venceu nas urnas. O método não se estenderá tão cedo às próximas fracturas, a saber eutanásia e casamento gay, mas o precedente está aberto. Vamos passar muitos anos a andar por aqui.
Quem quer enterrar a cabeça na areia, faça favor. Mas quem quer ter uma palavra sobre o futuro dos portugueses, não pode ficar calado sobre o que os divide.
Quanto à eleição de Menezes, trata-se de um retrocesso para o PSD e, portanto, para toda a direita. O tubarão de Gaia está a corresponder às expectativas, tanto dos que o criticam como dos que o defendem, e pelas mesmas razões. As piores. Incoerente, superficial, demagógico, tablóide e - cereja em cima do bolo - suficientemente provinciano para plagiar textos alheios sobre Bergman e Antonioni (ou permitir que outros o façam em seu nome, o que vem a dar no mesmo), Menezes corre o risco de ficar na história como o homem que desmantelou, não o Estado em meia dúzia de meses, mas o PSD em pouco mais do que isso.
Cá estaremos para ver o que fica. Se ficar alguma coisa.
publicado por Pedro Picoito às 23:24 | comentar | partilhar