O fascínio pelo Norte


Anuncia-se o projecto ou o desejo de se "acabar com as repetências" e, mais uma vez, para apoiar uma ideia assim interessante, fatalmente remete-se para essas entidades retoricamente salvíficas que são "os países do Norte da Europa". Para ilustração e sossego dos indígenas, diz-se tratar-se de importar de um "modelo" - segundo o tal "modelo", não se retêm alunos, mas vão "potenciar-se" certas "formas de apoio" para aqueles dotados de "ritmos diferenciados" (este linguajar numa ministra da Educação é, de resto, eloquente do estado da coisa).
É fácil anunciar estas maravilhas e é igualmente fácil transplantar "modelos" abstractamente, desgarradamente. Transplantar sem mais - sem curar das condições em que eles medraram e se consolidaram. Importa-se apenas o "modelo"? E o resto? Também se vão buscar os povos, o seu entendimento da Escola e os seus hábitos culturais?...


(Talvez volte a isto hoje, mas agora vou sair. Não vale a pena desperdiçar um dia destes com proclamações idiotas.)
publicado por Carlos Botelho às 16:13 | partilhar