Sócrates e os clássicos


É sempre bom irmos até aos clássicos. Eles lançam luz, fazem-nos ver, compreender o contemporâneo.
O primeiro-ministro, com aquela aldrabice de dar a entender que o famoso relatório era da OCDE ['Há muitos anos, há muitas décadas que leio relatórios da OCDE sobre educação. Eu nunca vi uma avaliação com tantos elogios!' dizia ele, brandindo este relatório], sem o dizer explicitamente, para depois se poder furtar à denúncia do seu logro, com aquele punho fechado para diante e berrando 'bravo!', com ameaças de Führerzito arrasador, gabando-se sem vergonha de um documento que parece feito de encomenda para elogiar as suas opções políticas [e os "pontos fracos" das políticas são descritos como pormenores que "permanecem"(sic), porque ainda não dissolvidos pelas próprias políticas! (p. 48)], um documento assente em fontes cirurgicamente escolhidas de modo a condicionar as conclusões, com as permanentes arengas solicitamente transmitidas pela televisão do Estado, e com os trejeitos e as risotas trocistas para a cara dos deputados que hoje o interpelavam (ao lado de uma ministra da educação que mascava pastilha como um aluno malcriado), com tudo isso, Sócrates, mesmo que o não reconheça formalmente para si, está a seguir zelosamente, a aplicar um clássico.
Um clássico que, por sinal, ao contrário do "discípulo", fez um doutoramento na Universidade de Heidelberg e não uma licenciatura interessante numa universidade curiosa.
Mas ouçamos o clássico - ele, no passado, explica o presente (assenta-lhe como uma luva):


O nome do clássico?
Joseph Goebbels.


publicado por Carlos Botelho às 00:44 | comentar | partilhar