Nada de novo debaixo do Sol

Mahamud Abbas, não podendo vencê-los, correndo o risco de perder-se na luta contra eles, rendeu-se-lhes - ao Hamas, claro. Entre a paz que diz querer, o que implica a abertura de um processo negocial, que vem evitando com todas as fibras da sua alma e todas as manobras dilatórias possíveis, e os outrora seus inimigos jurados, com os quais nenhum processo negocial é possível - para estes, a erradicação de Israel é o alfa e o ómega na sua razão de ser, como afirmam e reafirmam todos os dias, agindo em consequência -, optou por estes. Optou, julga, pela sua sobrevivência. De facto, adiou apenas o seu fim político, ao preço de o tornar mais certo do que nunca. A concretizar-se a parceria, todas as áreas de cooperação entre Israel e a Autoridade Palestiniana, na economia como na segurança, serão forçosamente suspensas. As medidas de segurança que Israel aplica sobre a Faixa de Gaza acabrão por se estender à Margem Ocidental. O Irão, pelo seu entreposto Hamas, estará mais próximo, na fronteira oriental de Israel. As dificuldades relacionadas com o perigo e o decréscimo de segurança aumentarão para Israel. Mas a Fatah, em perda continuada desde há muito, não sobreviverá. Com o acordo anunciado, há apenas um ganhador possível: o Hamas e o islamismo. A comédia de muito má qualidade com que Abbas se pretendia fazer passar como possível interlocutor num processo de paz chegou ao fim. O último episódio de recuo num processo de paz foi há uma década atrás, em Camp David e Taba. Arafat sabia que se assinasse a paz com Israel perdia a «Palestina». Em 2000 e 2001, a verdade da vontade da liderança palestiniana de avançar para uma solução de dois Estados revelou-se no fim do processo. Desta vez, imediatamente antes de ser, aparentemente, inevitável começá-lo. E, uma vez mais, terão o exclusivo da palavra, do lado árabe, a propaganda e o terrorismo. Leitura vivamente recomendada.
publicado por Jorge Costa às 16:27 | partilhar