Se é para queimar - e penso que deve ser para queimar - então que seja a sério

Pelo menos eu e Palmira F. Silva (mais um Nóbel assaz indigesto, convertido em economista-Madonna da esquerda, mas, em certos dias de chuva, horrivelmente inconveniente, com desconcertantes propostas de reduções de salários e coisas que tais, quando olha para a competitividade dos países do Sul da Europa) subscrevemos inteiramente a posição de Otmar Issing.

It seems to me of crucial importance at this stage in the monetary union’s development that if a permanent rescue mechanism is established we should also have a restructuring regime for sovereign debt that involves losses for private investors*. Why should taxpayers be taken hostage endlessly by investors who enjoy the benefits of high interest rates and who can rely on being bailed out once an indebted country gets into trouble?

Se fosse só por esta evidência, o artigo de Otmar Issing, primeiro economista-chefe do BCE, não merecia um post. Importante é a parte final, em que desanca a ideia de que a restruturação de dívidas - traduzindo: dedinhos estorricados, mas à séria, para os investidores que compram obrigações de Estados perdulários, sem atender à sustentabilidade do endividamento -, fique dependente de uma decisão ad-hoc de instâncias super-credíveis como a Comissão Europeia, deixando de representar uma ameaça como deve ser.

Such a regime would lack credibility and predictability. It would be based on discretionary decisions and set the stage for future political tension, uncertainty and market volatility.

* Ênfase (propositadamente exagerada) minha.

publicado por Jorge Costa às 18:31 | comentar | partilhar