Nada de novo nesta coisa ocidental

Depois disto, desta coisa, para além da perplexidade de algumas pessoas decentes aqui e ali (e no 31 da Armada, no Cinco Dias e noutros) ninguém parece ter ficado muito preocupado, não se avistou nenhum sobressalto.
Para além da intrujice (é essa a palavra) feita às pessoas em Castelo de Vide e a todos nós (sim, a todos nós), da promiscuidade miseravelmente descarada entre função do Estado e interesse do Partido e do uso... mais exactamente, do abuso de crianças para alimento da monomania do Magalhães (e quantas vezes não vimos já a ministra da educação e Sócrates fazendo-o por aí com impunidade, se exceptuarmos uns ovos volantes), para além de tudo isso, reparem no que diz... ou melhor (porque ali, na verdade, as crianças não dizem realmente nada, são instrumentos vocais dos adultos), no que é posta a dizer uma das crianças no video: 'o Magalhães é o meu melhor amigo'.
Só um psico-pata produziria uma coisa de propaganda partidária que abre com uma barbaridade daquelas. Uma criança é posta a dizer 'o Magalhães é o meu melhor amigo.' Já chegámos a este nível obsceno da propaganda política em que há criaturas que, não só intrujam os desprevenidos para usarem os seus filhos e alunos (ao serviço do contubérnio ministério da educação-empresa privada-PS), como não hesitam, porque não têm qualquer pudor humano, em exibir aquilo pela boca de uma criança sorridente. Uma criança que, não o percamos de vista, no projecto daquela gente, pretende ter um papel exemplar. Para a criança-portuguesa-modelo do PS/Lurdes Rodrigues, o "melhor amigo" é um info-trambolho do terceiro mundo. Que visão pavorosa tem aquela gente das crianças e das escolas... Sejamos mais precisos: que visão pavorosa tem aquela gente do que devem ser as crianças e as escolas...
Deverão ser não-crianças - porque não são crianças aquelas cujo correlato fundamental da sua afectividade não passa de uma azulinha, maneirinha, de erros pejadinha, ma-qui-ne-ta. E as crianças, com os risos "socraticamente" carimbados nos seus rostos, ali estão alinhadas, sem amigos e sem verdadeiros professores, entretidas (leia-se enganadas) na encenação em que são figurantes inconscientes. Não sabem, nem podem saber, que estão a ser instrumentais na desumanização crescente das suas vidas e da escola levada a cabo por uns parolos info-deslumbrados e desprovidos de interioridade. A incontinência chega ao ponto de nomear as crianças como "geração Magalhães" [sic]. É o nacional-saloiismo "socrático" em todo o seu esplendor.
Entretanto...




...ninguém parece muito preocupado com o insulto. Começo a dar razão ao que o Fernando Assis Pacheco uma vez disse de Portugal.
publicado por Carlos Botelho às 17:30 | partilhar