Terça-feira, 13.09.11

O (in)sucesso do ensino secundário português

O relatório Education at a Glance 2011 (OCDE) saiu hoje e pôs o programa Novas Oportunidades (NO) novamente na agenda mediática. Duas notas.

 

1. A OCDE não descobriu nada de novo, por muito que isso custe aos jornais. A notícia nasce do gráfico abaixo (publicado na página 44 do relatório da OCDE), que nos oferece uma perspectiva comparada sobre a realidade portuguesa – cujos dados claríssimos foram aqui publicados no Cachimbo, e que por si só deveriam ter sido notícia ou, pelo menos, um motivo para alarme. Estamos no topo do ranking, um lugar que infelizmente não nos pertence, até porque as notícias não são nada animadoras. Talvez valha a pena relembrar aos saudosistas socráticos que, nesse mesmo gráfico, se tivermos em conta apenas os alunos que completaram o ensino secundário com menos de 25 anos (i.e. os alunos em situação normal), estamos isolados na cauda da UE27, só com México e Turquia abaixo de nós.

Este salto do topo para a cauda do ranking é de simples leitura e não passará despercebido a ninguém que estude políticas educativas. Significa isto que a mensagem para consumo interno do anterior Governo, a do sucesso educativo no ensino secundário, que dependia desta fraude estatística da indistinção entre alunos do ensino recorrente e alunos do NO, não passou despercebida lá fora. Por cá, só acreditou quem quis; talvez agora se possa regressar calmamente à realidade. O ministro Nuno Crato tem, por isso, toda a razão.

 

 

2. O programa Novas Oportunidades (NO) tem defeitos, mas também tem virtudes, e isso aparece no gráfico acima. Numa população com o perfil da portuguesa, é importante que exista uma forte preocupação com a chamada adult education, para que se consiga aumentar a instrução da população fora da idade escolar, que é muito baixa. O problema nunca foi o programa em si, mas a suspeita, demasiadas vezes confirmada, de se tratar de uma certificação cega. Houve da parte do anterior Governo, e por vezes da Oposição de então, uma excessiva politização do NO, que prejudicou a sua normal implementação. Se devidamente monitorizado, o NO tem tudo para constituir um case-study internacional de política educativa de sucesso no que à adult education diz respeito.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 17:49 | comentar | partilhar
Terça-feira, 06.09.11

Sobre o "milagre" sueco na Educação

1. As free schools na Suécia são uma realidade demasiado pequena para serem responsáveis pela melhoria ou pela pioria do desempenho do sistema educativo. Parece ser esse um erro comum aos textos do Prof. Espada (que nelas imagina o “milagre sueco”) e do Hugo Mendes (no ponto 3 do seu post, cai na tentação de responsabilizar as free schools da queda da Suécia nos rankings internacionais, embora reconsidere mais à frente). Como se pode ver no gráfico abaixo, o número de alunos do ensino obrigatório inscritos em free schools é de +/- 10% (e cerca de 20% no ensino upper-secondary).

 

 

2. O que caracteriza a reforma educativa dos anos 90 na Suécia é a sua reforma administrativa, mais do que o tipo de escolas (as free schools são somente uma espécie de escolas com contratos de associação em estado avançado). A liberdade de escolha não se fixou na opção dos pais, concentrou-se antes no sistema, de alto a baixo, trazendo a abertura dos currículos, das metodologias, dos processos de contratação de professores e dos instrumentos de avaliação. O resultado foi uma maior dependência na capacidade de liderança nas escolas, com a descentralização da tomada de decisão. Não é certo se produziu efeitos positivos ou negativos (cada escola é um caso), mas é certamente esta reforma administrativa que o Prof. Espada aprecia e o leva a falar de “milagre sueco”.

 

3. É falso o que diz o Hugo Mendes (no seu ponto 5) acerca da recolha de informação socioeconómica dos alunos suecos. Esta é feita sistematicamente e em todos os distritos. E também é falso que não existem exames nacionais na Suécia, pois estes são obrigatórios no 9º ano, para a passagem do ensino obrigatório para o upper-secondary, e são por isso realizados em todo o país. O que nem todas as escolas fazem é exames externos durante o ensino secundário, uma vez que esta avaliação externa é opcional.

 

4. As free schools obtiveram bons resultados, em geral melhores do que as escolas municipais. Note-se que estamos a falar de escolas públicas (i.e. cujo acesso é público) e onde, à partida, as regras de entrada são iguais às municipais, com alunos de todos os níveis socioeconómicos. Claro que algumas (não é a regra) estão localizadas nas zonas mais ricas das cidades, tornando-se a escolha dos alunos com níveis socioeconómicos mais elevados, mas também se instalam noutras zonas e o mesmo acontece com as escolas municipais. No gráfico abaixo, notamos que a percentagem de sucesso (passagem do ensino obrigatório para o upper-secondary) é superior nas free schools comparativamente às escolas municipais. Claro que, face ao número de alunos nas free schools (apenas 10%), esta comparação tem óbvios limites.

 

 

5. A comparação entre os desempenhos de Portugal e Suécia no PISA2009 deve ser mais prudente. Enquanto é inegável que há uma tendência de leve descida na Suécia, os resultados de Portugal no último PISA rompem com a tendência construída pelos anteriores resultados (i.e. estagnação). Ou seja, no caso português é necessário que o próximo PISA confirme a melhoria observada no PISA2009 para que se possa falar de tendência (não esqueçamos que a subida de Portugal no PISA é abrupta e inesperada, um caso raríssimo entre países desenvolvidos).

 

6. Concordo com o ponto 6 do post do Hugo Mendes. Não conheço o detalhe da amostra de alunos suecos recolhida para o PISA2009, mas é certo que o aumento da imigração é um factor importante e que pode estar relacionado com a queda nos rankings (ver no gráfico abaixo o aumento do número de alunos imigrantes). Será, quanto muito, um entre diversos factores que explicam o caso sueco.

 

 

7. A Suécia mantém-se como um excelente exemplo de reforma administrativa de sucesso. A descentralização do seu sistema educativo responsabilizou mais os agentes educativos; houve dificuldades de adaptação que foram sendo ultrapassadas e alguns processos foram corrigidos. Não há como negar que o sistema educativo sueco funciona e que, apesar das especificidades da sociedade sueca, tem características exportáveis (até porque muitas não são exclusivas à sociedade sueca e existem um pouco por todo o mundo). Mas se procura inspiração, talvez a direita portuguesa devesse olhar um pouco mais para a Nova Zelândia, onde a aproximação à realidade portuguesa é mais fácil (por algumas semelhanças sociais e por ter implementado uma descentralização mais moderada do seu sistema educativo).

 

[Gráficos retirados Facts and Figures 2010, Skolverket.]

publicado por Alexandre Homem Cristo às 19:17 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Sexta-feira, 29.07.11

É urgente negociar, mas Agosto é só para férias

A proposta de novo modelo de avaliação docente é hoje apresentada aos sindicatos. Nos últimos 15 dias, ouvimos por diversas ocasiões o líder sindical Mário Nogueira a exigir que este assunto, a sua raison d’être, fosse resolvido com a maior urgência, porque não era justo fazer os professores esperar. Afinal, depende por quem se espera. Num comunicado divulgado ontem, a FenProf já veio avisar que não se pode negociar em Agosto, “por se tratar de um período de férias para os docentes”. Exemplar.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 10:48 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 27.07.11

A duas velocidades

 

 

Não é novidade, e os exames nacionais de 2010 vieram confirmar a regra: as regiões do interior do país, nomeadamente no sul, assim como a Madeira e os Açores, estão a ficar para trás. Embora fora da agenda mediática, este é um dos maiores desafios da Educação nacional: como puxar para cima os alunos destas regiões, enquanto se elevam os standards nacionais? A prevista atribuição de autonomia de decisão às escolas será um bom passo, pois permitirá uma melhor adaptação às necessidades locais, mas dificilmente será suficiente.

O que se fez noutros países, e que poderia resultar em Portugal, foi, juntamente com a autonomia, criar mecanismos de incentivo (evolução na carreira ou recompensa financeira) para os melhores professores aceitarem leccionar nestas regiões e escolas. Com melhores professores e com maior autonomia (com planos de acção/recuperação aprovados e monitorizados por equipas externas), os desempenhos dos alunos melhoraram. São bons exemplos que nos poderiam inspirar.

 

(mapa retirado do recém publicado relatório sobre os Exames Nacionais dos ensinos básico e secundário realizados no ano lectivo 2009-2010, p. 49)

publicado por Alexandre Homem Cristo às 14:55 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Terça-feira, 26.07.11

Os pais trafulhas que querem a melhor educação possível para os seus filhos

Só têm liberdade para escolher a escola do seu filho os pais que possam pagar um colégio privado. Esta injustiça, que à esquerda é lida como um triunfo da “escola pública”, whatever that means, tem de acabar, o que passa, essencialmente, por acabar de vez com os entraves legais e consequente desespero dos pais que, não tendo dinheiro para escolher, ambicionam mais para os seus filhos do que a inscrição na escola da sua área de residência, sobretudo quando o baixo nível socioeconómico das suas famílias as empurra para as zonas mais degradadas e pobres. Como justificar a estes pais que não podem tentar inscrever os seus filhos em outras escolas públicas, procurando o que é melhor para eles? É algo que não tem justificação, mas que não impede que assistamos, todos os anos, a estas famílias lutar como podem, furando a lei, para salvaguardar o futuro dos seus filhos.

Infelizmente mais preocupada com os filhos dos ricos do que com os dos pobres, a indiferença da esquerda social(ista) perante esta questão continua a ser aterradora.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 11:32 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Segunda-feira, 25.07.11

(re)Pensar a avaliação docente e o acesso ao ensino superior

 

A notícia de que as notas dos alunos são piores nos exames nacionais do que na escola deveria, no mínimo, fazer-nos reflectir sobre um conjunto de aspectos do nosso sistema educativo, visto que esta comparação entre notas serve de instrumento de controlo da qualidade do sistema. E, como parece evidente, uma tão grande diferença de resultados aponta para diferenças de critérios de exigência nas escolas e nos exames nacionais, i.e. um desequilíbrio no sistema. Duas reflexões.

 

I. Num momento em que se está a redesenhar o modelo de avaliação dos professores, há que questionar até que ponto este não seria uma variável interessante a ter em conta. Há várias formas de avaliar a qualidade do trabalho de um professor, sendo que nem tudo é objectivável e mensurável, mas dificilmente se pode passar por cima do que é, tal como os resultados dos alunos. A observação dos resultados dos alunos, os valores absolutos mas sobretudo os valores relativos (i.e. se melhoraram ou pioraram o seu desempenho com o professor X), é uma forma possível de o fazer – e, na minha opinião, também uma forma justa, que acaba de vez com a confusão entre os professores que são melhores e os professores que têm os melhores alunos. Uma outra forma passa por verificar se os critérios de avaliação do professor estão alinhados com os standards nacionais, que é onde entraria a análise da diferença entre as notas na escola e as notas nos exames, sendo quanto mais baixa a diferença melhor o desempenho do professor.

Se não for possível inserir estas duas variáveis no modelo de avaliação docente, não seria difícil introduzir, pelo menos, a comparação das notas escola/exames com uma variável flexível, que ultrapassando um certo valor obrigaria a uma justificação escrita e um eventual reflexo negativo na avaliação, caso a justificação não fosse aceite pela entidade avaliadora.

 

II. Uma outra questão sobre a qual poderá ser interessante reflectir é acerca da (in)justiça de termos um acesso ao ensino superior baseado em classificações finais (talvez por isso este modelo é cada vez mais uma raridade nos países com sistemas educativos de referência). Estas classificações dependem em grande parte das notas nas escolas e, como é sabido, nem todas as escolas adoptam os mesmos critérios de exigência. Ou seja, entrarão no mesmo curso, numa mesma universidade, alunos que foram escolhidos a partir graus de exigência diferentes, saindo os alunos cujos professores inflacionam as notas na escola favorecidos em relação aos que foram avaliados de acordo com os critérios oficiais. Se isto é manifestamente injusto, porque não acabar com este modelo de acesso ao ensino superior?

Um modelo possível, e muito mais justo, seria o de abrir as portas das universidades a todos os alunos que completassem o 12º ano, permitindo às universidades escolher os alunos na passagem do 1º para o 2º ano de curso. Deste modo, qualquer aluno que frequentasse o 2º ano de um curso X na Universidade Z teria sido escolhido do mesmo modo. Em diferentes universidades, diferentes graus de exigência e, desde que as regras do jogo fossem explícitas para todos desde o início (por exemplo, uma universidade podia apenas admitir no 2º ano os 20% melhores do 1º ano), todos os alunos seriam avaliados e escolhidos a partir dos mesmos critérios.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 15:30 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Terça-feira, 28.06.11

As prioridades e a liberdade na Educação

A Ana Cássia Rebelo (Ana de Amsterdam), entre as asneiras que escreve sobre o cheque ensino e, em geral, sobre a liberdade de escolha da escola, acerta num ponto: os pais com mais recursos económicos, mesmo com a introdução do cheque ensino, arranjariam, se assim o desejassem, forma de manter os seus filhos em escolas privadas e inacessíveis aos restantes alunos que não têm como pagar as propinas.

 

So what? Este problema levantado pela Ana é um caso exemplar de prioridades trocadas. A liberdade de escolha visa principalmente a população que não tem condições económicas para escolher, porque em Portugal a escolha só existe no ensino privado. E é isso que tem de acabar: têm de acabar os limites legais para a escolha da escola pública e tem de aumentar a oferta (i.e. variedade) educativa no público. Há várias formas de o fazer, entre as quais o cheque ensino. O essencial, no fim, é que a liberdade de escolha deixe de ser exclusiva. Algumas escolas manter-se-ão privadas, fora da rede pública? Sim, quem as puder pagar continuará a ter mais possibilidades de escolha. Mas isso não deve significar que os outros, que não podem, devam continuar como estão, sem qualquer liberdade de escolha.

 

Adenda: ler o Miguel Botelho Moniz.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 14:01 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sempre à disposição

No seguimento do meu post anterior, esclareço as dúvidas levantas pelo Carlos Botelho

 

1. A liberdade na educação não é apenas um chavão. De resto, tanto o Alexandre Homem Cristo como o Nuno Lobo (que peço desculpa por arrastar para esta discussão) têm publicado vários posts sobre o tema. (por exemplo, este e este). Sobre o tema existe também abundante material no site do Fórum para a Liberdade na Educação.

 

2. Quando especulo acerca das motivações alheias e não tenho qualquer indício minimamente conclusivo prefiro colocar várias hipóteses (como fiz aqui). Não sei em que se baseia a Ana para afirmar que a principal motivação (ou talvez a única...) que leva os pais a optar por um colégio privado é a segregação. Não sei se se baseia nalgum inquérito ou apenas nos seus preconceitos. A minha bola de cristal parece também não funcionar neste caso.

 

3. O dinheiro dos meus impostos tanto serve para custear a saúde/educação/etc de pessoa com menos recursos (a chamada redistribuição) como do meu agregado familiar. Quando se fala da "não duplicação de custos" o que peço é que me seja permitido escolher os prestadores dos serviços ao próprio agregado. Nada disto põe em causa a função redistributiva do estado que, aliás, em muitos casos também pode ser garantida recorrendo a prestadores externos.

 

Espero ter esclarecido todas as dúvidas.

publicado por Miguel Noronha às 08:35 | partilhar
Segunda-feira, 27.06.11

(outra vez) A liberdade na educação

Contrariamente à Ana de Amsterdam não tenho a pretensão de saber o que é que os outros país estão a comprar quando optam por colégios privados ou o quais as motivações dos defensores da escola pública. Isto é, até posso fazer um exercício especulativo mas provavelmente estarei apenas a "colar-lhes" os meus preconceitos. Evito, por isso, falar de motivações alheias.

 

Voltando ao tema do post, confesso não perceber a resistências geradas em torno da ideia da introdução do cheque-ensino. Existirão variadíssimas motivações que levam os pais a colocar os seus filhos num colégio privado. Melhor ensino, proximidade, horários, etc. Inclusivamente a segregação. Não tenho pretensões de saber razões alheias. Apenas sei o que me levou a fazê-lo. O que não posso admitir é que me obriguem a duplicar os encargos financeiros para recuperar a liberdade de escolher a escola das minhas filhas.  Não admito que burocratas tenham a pretensão que a sua omnisciência lhes permita ultrapassar os meus deveres como pai.

publicado por Miguel Noronha às 09:07 | partilhar
Quinta-feira, 09.06.11

O famoso "brain drain"

 

O Prof Álvaro Santos Pereira apresenta um gráfico que mostra, por país, a percentagem de licenciados que emigra.  Portugal está no topo da escala com mais de 20%. É claro que um valor elevado neste indicador pode ser reflexo de um elevado montante de investimento no exterior. Porém, não me parece que esta seja de longe a principal motivação da elevada taxa de emigração de licenciados portugueses.Convém também referir que dada a estrutura de financiamento do ensino superior em Portugal (principalmente via impostos) os contribuintes portugueses andam a subsidiar a formação de profissionais qualificados a países estrangeiros. Frequentemente mais abastados que nós. 

publicado por Miguel Noronha às 09:14 | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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