Sexta-feira, 20.01.12

O Senhor Wen

 

 

Terminou a visita do primeiro-ministro chinês  Wen Jiabao a alguns países do Médio Oriente, na qual deixou de fora o Irão, talvez para arrefecer os ânimos em Teerão e Washington e sinalizar que tem possíveis alternativas ao fornecimento de petróleo iraniano. Mas como tinha escrito aqui, a China joga forte nesta região e não pensa renunciar facilmente ao petróleo iraniano. Para melhor compreender a situação vale a pena saber o que disse o Senhor Wen durante esta semana, na sua visita às Arábias.

 

publicado por Victor Tavares Morais às 09:25 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Sábado, 14.01.12

Greater Sunrise

 

Timor-Leste vai ter um ano de 2012 decisivo para a sua viabilidade económica como país. Enquanto nação em construção vai continuar muito dependente dos recursos que conseguir mobilizar para educação e infraestruturação, recursos que poderão ter duas origens: a ajuda externa; ou os proveitos dos seus recursos energéticos.

Timor-Leste e a Austrália dividem enormes reservas de gás – o campo de Greater Sunrise. Mas somente 20% do campo está em território australiano, de acordo com os limites marítimos definidos pela lei internacional, direito marítimo que em 2002 Camberra mandou às urtigas. Os timorenses foram “voluntariamente" esbulhados dos seus legítimos direitos (há quem diga que foram só coagidos), quando aceitaram dividir 50/50 os impostos e os royalties dos recursos do gás de Greater Sunrise, e a abdicar de qualquer queixa judicial nos próximos 50 anos, relativamente aos limites fronteiriços do campo. Mas felizmente, tem resistido à pretensão das empresas do consórcio de, também, processar o gás num terminal flutuante ou em território australiano, dispensando qualquer investimento em Timor – um terminal de liquefacção de gás. Um golpe de misericórdia para este jovem país: nem investimento, nem energia para o desenvolvimento.

Espero que Timor-Leste não ceda a mais esta pretensão, e faça vingar a sua vontade, caso contrário aguente firme o impasse até ao início de 2013, quando ambas as partes tiverem o direito de cancelar o acordo original (se a produção de gás ainda não estiver em curso). Podemos até imaginar que, pelos confins da Ásia, não faltem outros e fortes interessados a emparceirarem com Timor.

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publicado por Victor Tavares Morais às 21:07 | comentar | ver comentários (9) | partilhar
Terça-feira, 10.01.12

Os maiores

 

do jornal Expansión de hoje.

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publicado por Victor Tavares Morais às 19:19 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Terça-feira, 13.12.11

Outra reinvenção americana

A primeira década deste século foi a década americana das reinvenções tecnológicas ligadas aos combustíveis fósseis. E, ao que parece, o motor de combustão interna foi mais uma das tecnologias com morte prematuramente anunciada. 

O OPOC da Ecomotors é um exemplo da economia contemporânea - projectado por um engenheiro alemão (Peter Hofbauer), financiado por investidores privados americanos (Bill Gates e a Khosla Ventures) será, muito provavelmente, construído por industriais chineses.

 

 

Apresentado em 2010, só estará no mercado daqui a cinco anos (deve ser o tempo suficiente para sair a nova regulamentação americana para o sector automóvel).

publicado por Victor Tavares Morais às 09:20 | comentar | partilhar
Segunda-feira, 05.12.11

A Europa não chega

 

As sanções financeiras ao Irão, por parte da Europa, parecem ter surtido efeito, já o impacto do embargo às importações de petróleo iraniano pode vir a ser nulo, ou mesmo negativo.

 

A Europa hoje, no seu conjunto, representa apenas 20% das exportações iranianas (os outros grandes são a China, o Japão, e a Coreia do Sul). O que a Europa se arrisca a conseguir, com este embargo, é que o Irão desvie estes volumes para os outros compradores (e concorrentes), e se necessário, lhes venda a desconto face ao mercado. No final, o Irão arrecada a mesma receita, enquanto a Europa vai ter que ir comprar estes volumes a um preço mais alto.

 

Neste cenário, de crise económica, as sanções energéticas ao Irão devem ser acordadas num quadro de concertação mundial, caso contrário: é autoflagelação.

publicado por Victor Tavares Morais às 21:41 | comentar | partilhar
Sábado, 03.12.11

O inimigo que vem do norte

 

 

Foto retirada do jornal The Guardian - Photograph: Abed Al Hashlamoun/EPA

 

A Grécia, que a propósito da crise financeira europeia, tem sido tão noticiada na comunicação social, acaba por ser, para muitos europeus, um membro desconhecido num corpo disforme e retalhado. Quanto ao Médio-Oriente não é diferente, o que sabemos sobre o que se passa em Israel ou no Egipto é muito do mesmo, e quase nada de novo. E quanto à relação da Europa com Israel sabemos apenas que não é de afinidades.

 

Temos do Mar Mediterrâneo uma imagem de calmaria, talvez seja transmitida pelos dias de férias passados na nossa costa algarvia, às portas do mediterrâneo, onde os acontecimentos mais radicais que temos são desembarques de traficantes de droga, ou um, mais esporádico, de imigrantes ilegais. No entanto, no mediterrâneo oriental tivemos importantes acontecimentos este ano de 2011, revoltas no Egipto e na Líbia, e agora estamos a assistir à formação de uma aliança estratégica de Israel e da Grécia. Os governos das cidades berço da cultura ocidental (Jerusalém e Atenas), estão numa nova fase de comunhão, só que motivada por interesses bem mais prosaicos que os culturais: os recursos energéticos e a segurança.

 

Esta semana, com a visita oficial do ministro israelita a Atenas, tivemos a última demonstração que uma aliança estratégica entre Israel e a Grécia está em estágio avançado. O ministro dos negócios estrangeiros israelita deslocou-se a Atenas onde anunciou um acordo de cooperação estratégico na área da energia entre Israel, a Grécia e o Chipre, proferiu ainda declarações inequívocas de apoio aos direitos de exploração de recursos naturais (petróleo e gás), por parte dos cipriotas gregos, no mediterrâneo oriental. Mas disse mais, disse que Israel estaria disposto a defender esses direitos se alguém os desafiasse, e não acreditava que a Turquia o fizesse. Ora, a Turquia já o fez, pelo menos verbalmente. O governo turco reagiu, reafirmando que considera a exploração de recursos no mediterrâneo por parte do Chipre ilegal, e teve a resposta no próprio dia, não da Grécia, nem do Chipre, muito menos da UE, mas novamente de Israel - rejeitou as acusações e informou que as explorações são em zona económica exclusiva do Chipre.

 

Em Setembro, tinha sido a vez do ministro da defesa de Atenas visitar Jerusalém, para selar uns protocolos operacionais de defesa (note-se: operacionais), teve encontros com os principais governantes mas também com o Patriarca de Jerusalém: a comunhão parece ser alargada.

 

E a pergunta que se impõe é a seguinte: porque necessita Israel desta aliança?

Sabemos que desde que a frota de barcos de pavilhão turco furou o bloqueio naval à Faixa de Gaza, as relações com a Turquia tiveram um sério agravamento e nunca mais melhoraram, bem pelo contrário. A Turquia é agora o inimigo que vem do norte.

 

Se somarmos a isto, as revoltas árabes, nomeadamente no Egipto, e a grave instabilidade na Líbia, temos uma equação de muitas e novas variáveis. Deixemos aqui a Líbia de lado (onde pode emergir um ninho de piratas), mas só o Egipto, per si, tem sido fonte bastante de preocupação. O Egipto é o principal fornecedor de gás a Israel, e com Mubarak sempre cumpriu escrupulosamente os contratos, acontece que desde o início das revoltas no Cairo, só entregou a Israel ¼ do que estaria contratualmente obrigado. E naturalmente, este facto tem causado sérias dificuldades a Israel, nomeadamente aos sectores que dependem do gás, como a produção eléctrica – com o recurso alternativo ao gasóleo e ao fuel os preços da electricidade dispararam brutalmente. Mas o mais grave aconteceu na segunda-feira, um atentado terrorista no Egipto (o nono, só este ano) interrompeu de vez o fornecimento a Israel.

 

Este é um problema muito grave, mas para Israel é ainda assim temporário (tem abastecimento estratégico e de segurança de combustíveis para mais de um ano), e o país vai em breve ser autosuficiente em gás por várias décadas, com a entrada em funcionamento da sua exploração de gás de Tamar, em 2013.

 

Mas onde fica Tamar? É uma exploração offshore no mediterrâneo a 80 km da costa (sujeito a ataques terroristas ou dos seus inimigos de sempre). E os petroleiros que abastecem Israel, de onde vêm? Pelo estreito do Bósforo, controlado pela Turquia. Israel necessita rapidamente de se afirmar militarmente no mediterrâneo, e a Grécia é o seu aliado natural, confronta-se com a Turquia e tem uma marinha de guerra razoavelmente eficaz. Esta aliança vai dominar o mediterrâneo oriental.

 

E a Grécia, porque investe tanto nesta aliança?

A UE já foi união económica, união monetária, união de vontades e agora parece que vai ser união orçamental, coisas muito importantes - mas já todos percebemos que não há um alemão disposto a arriscar a carteira por um belga ou francês, quanto mais a vida por um grego ou português. Os Estados continuam a fazer pela vida, e fazem bem.

publicado por Victor Tavares Morais às 10:11 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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